v. 18 n. 2 (2022): PRAXIOLOGIAS DECOLONAIS NO ENSINO DE LÍNGUAS

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O sistema-mundo inventado pela modernidade/colonialidade foi e ainda está estruturado de forma binária e hierarquizada, contado por uma metanarrativa, ou “uma história única” universalizante (ADICHIE, 2019), em que os protagonistas, os heróis vencedores, são os narradores, inventores do sistema, com a arrogância do ponto zero (CASTRO-GÓMEZ, 2007). Nessa estrutura moderna colonial, somente um mundo é possível, uma só perspectiva e um só ponto de vista sobre o mundo e sobre a vida são válidos, apenas um tipo de conhecimento é legítimo e somente “as línguas de culturas”, as coloniais e imperiais, são autorizadas a veicular os conhecimentos legítimos. A normatividade do corpo para o mundo, sobretudo para o mundo do trabalho, é o fundamento da realidade. A educação escolar, mais especificamente, a educação linguística pela escola, tem o objetivo de normatizar as práticas sociolinguísticas, as vivências dos corpos e das existências no mundo. A educação linguística totalitarista não admite a existência de nenhuma norma ou prática linguística diferente da norma única legitimada pela herança colonial. No ponto de vista contra-colonial da diversidade (SANTOS, 2015; KRENAK, 2021), no mundo, cabem muitos mundos, quantos existirem, com direito à existência. Todos os conhecimentos e línguas são válidos e legítimos. Legitimar a existência de línguas não hegemônicas e de suas diversas práticas sociolinguísticas para fins de ensino e aprendizagem implica estudá-las numa perspectiva praxiológica, pois, assim, pode-se evidenciar a relação entre suas dimensões teórica e prática. A praxiologia é, portanto, aqui tomada como um referencial teórico que funciona como uma metodologia informada pela perspectiva teórica para refletir sobre práticas docentes na perspectiva decolonial. Conforme Mbembe (2016), a agenda decolonial de pesquisa foi estabelecida com dois objetivos: criticar o modelo acadêmico eurocêntrico dominante e imaginar como um modelo alternativo a esse modelo pode ser. Na perspectiva das praxiologias decoloniais no ensino de línguas, as práticas linguístico-epistêmicas contra-coloniais são legítimas e têm o direito de ser ensinadas na escola tanto quanto as normas válidas das línguas de cultura. Para isso, é fundamental uma formação alternativa de docentes nas universidades e a circulação das línguas contra-coloniais em periódicos acadêmicos. É urgente que pesquisas de intelectuais contra-coloniais e os conhecimentos contra-coloniais também tenham lugar por direito na academia e nos espaços de divulgação e de construção de conhecimento. Em razão disso, os(as) editores(as) deste Dossiê Temático da Revista Desenredo veem como oportuno reunir trabalhos sobre praxiologias decoloniais envolvendo o compartilhamento de conhecimentos sobre o ensino e aprendizagem de línguas, seja na escola como instituição ou fora dela.
Publicado: 03-02-2023

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