Os paradoxos do agronegócio fumageiro entre os pequenos agricultores no Oeste de Santa Catarina

  • Arlene Renk Universidade Comunitária da Região de Chapecó
  • Silvana Winckler Universidade Comunitária da Região de Chapecó
Palavras-chave: Integração vertical, Tabaco, Agricultura Familiar

Resumo

O texto aborda os “desencontros” das políticas brasileiras em relação à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), sob auspícios da Organização Mundial da Saúde, ratificada pelo Brasil em 2005. Um dos pontos de embate está na diminuição/erradicação do cultivo do tabaco. O governo brasileiro, numa postura politicamente correta, bane o fumo do espaço público, diminui o número de fumantes, mas oficialmente estimula o cultivo do tabaco para o incremento da balança comercial. Apesar da ratificação da Convenção pelo Brasil, encontramos o cultivo em pequena propriedade, em trabalho familiar, com alta carga de agrotóxico, em integração com a agroindústria fumageira, ou seja, agronegócio, pouco lembrado, quando mencionado.  A relação de integração vertical transforma o fumo em primo pobre do agronegócio, em relação aos avicultores e suinocultores, face ao baixo grau de capitalização das famílias integradas. A pesquisa é de caráter qualitativo, envolvendo dois municípios. Entrevistamos vinte fumicultores e quatro lideranças sindicais. Recorremos igualmente a fontes documentais e estatísticas para complementação e aprofundamentos dos dados obtidos em campo. A pesquisa encontra-se em   fase de andamento. Como resultados preliminares, observamos que o cultivo do fumo não é opção dos pequenos agricultores, mas uma das únicas saídas encontradas para permanecer na agricultura. Agricultores com maior grau de capitalização recusam-se ao plantio do fumo. As políticas públicas têm olhar oblíquo em relação aos fumicultores.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ASSOCIAÇÃO DOS FUMICULTORES DO BRASIL. AFUBRA. https://www.afubra.com.br/ acessos em 15 de fevereiro de 2019, 13 de março de 2019.
ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brazil, por suas drogas e minas, com várias notícias curiosas de fazer o assucar; plantar e beneficiar o tabaco; tirar ouro das minas e descobrir as de prata e dos grandes Emolumentos que esta conquista da América Meridional dá ao Reino de Portugal com estes e outros gêneros e contratos reaes. Rio de Janeiro: Casa de Souza e Com., 1837.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
BRASIL. Decreto 5658, de 02 de janeiro de 2006. Disponível http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5658.htm. Acesso em 13 de março de 2019.
______. BANCO CENTRAL. Resolução 3.559 de 28/03/2008. Disponível https://www.bcb.gov.br/Htms/Normativ/RESOLUCAO3559.pdf acesso em21 de maio de 2019.
______. Resolução 4.107, de 28 de junho de 2012. Disponível .https://www.bcb.gov.br/htms/normativ/RESOLUCAO4107 acesso em 21 de maio de 2019.
______. Resolução 4.483, de 05 de maio de 2016. Disponível https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o&numero=4483 acesso em 21 de maio de 2019
GOFFMAN, E. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectivas, 1974.
GRIGNON, Claude. Le paysan inclassable. Actes de la Recherche en Sciences Sociales (4), 1975, p. 82-87.

INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER – INCA. Observatório de Politica Nacional de Controle ao Tabaco. https://www.inca.gov.br/en/node/1419. Acesso em 21 de maio de 2019.
LAPA, José Roberto do Amaral. Esquema para um estudo do tabaco baiano no período colonial. Afro-Asiático: Salvador, 6-7, jun-dez, 1968.

MINISTERIO DE AGRICULTURA, PECUÁRIO E ABASTECIMENTO – MAPA- Projeções do agronegócio. Brasil 2017/18 a 2017/28. Projeções de longo prazo. Brasília: MAPA, 2018. Acessível. http://www.agricultura.gov.br/assuntos/politica-agricola/todas-publicacoes-de-politica-agricola/projecoes-do-agronegocio/banner_site-03-03-1.png/view Acesso em 10 de abril de 2019.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. A ratificação da convenção-quadro para o controle do tabaco pelo Brasil: mitos e verdade. Rio de Janeiro: INCA, 2004.
PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia. 23. ed. São Paulo: Brasiliense, 2004. [1942]
NARDI, Jean Batiste. O fumo no Brasil Colônia. São Paulo: Brasilense, 1987
PAULILO, M. I. S. Produtor e agroindústria: consensos e dissensos (o caso de Santa Catarina). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 1990.
SOUZA CRUZ. http://www.souzacruz.com.br/group/sites/SOU_AG6LVH.nsf/vwPagesWebLive/DOAG7DXA. Acesso em 10 de abril de 2019.
SZMRECSÁNYI,T. Pequena História da Agricultura no Brasil. São Paulo: Contexto, 1990.
VIGITEL. Base de dados – meta dados – MS – vigilância de doenças por inquérito telefônico – Vigitel. Disponível. https://ces.ibge.gov.br/base-de-dados/metadados/ministerio-da-saude/vigilancia-de-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico-vigitel. Acesso em 15 de maio de 2019.b
VOGT, O. P. A produção de fumo em Santa Cruz do Sul – RS, 1849-1993. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 1997.
Publicado
2020-04-29
Como Citar
Renk, A., & Winckler, S. (2020). Os paradoxos do agronegócio fumageiro entre os pequenos agricultores no Oeste de Santa Catarina. Revista História: Debates E Tendências, 20(2), 88-94. https://doi.org/10.5335/hdtv.20n.2.10925