Conhecimento do cirurgião-dentista acerca de maus-tratos à criança e ao adolescente

  • Aline Mattes da Silva Faculdade Avantis, Santa Catarina
  • Jaciane Santos Faculdade Avantis, Santa Catarina
  • Luiza Helena Almeida Universidade Federal de Pelotas
Palavras-chave: Adolescente, Cirurgião-dentista, Criança, Maus-tratos

Resumo

Objetivo: avaliar o conhecimento do cirurgião-dentista em relação a crianças e adolescentes que apresentaram alguma suspeita ou sinal de maus-tratos e verificar se esses profissionais relataram essa violência aos órgãos competentes. Materiais e método: aplicou-se um questionário com 238 cirurgiões-dentistas, incluindo 4 estados brasileiros, que previamente consentiram em participar da pesquisa. O questionário foi composto de perguntas abertas e fechadas acerca do assunto, bem como de figuras para identificação de maus-tratos. Os dados coletados foram digitados em um banco de dados no programa Microsoft Excel e analisados no programa Statistical Package for the Social Science (SPSS) 20.0. Resultados: a maioria dos cirurgiões-dentistas afirmou já ter realizado algum atendimento odontológico pediátrico em seu consultório e não ter reconhecido um caso suspeito de maus-tratos. Dos profissionais que já reconheceram um caso suspeito, 28,6% não souberam como proceder. Quando foi mostrada a cartilha de maus-tratos para todos os profissionais, incluindo aqueles que nunca atenderam crianças, 64,7% souberam reconhecer os sinais de maus-tratos demonstrados nas ilustrações. Conclusão: mesmo que os dentistas se considerem capazes de identificar casos de maus-tratos de crianças, ainda existe uma porcentagem de casos sem encaminhamentos às autoridades judiciais. É necessário que os profissionais recebam mais informações sobre a necessidade de estar alerta para a detecção de casos suspeitos de maus-tratos de crianças e adolescentes, bem como para o seu dever legal de relatar tais casos às autoridades.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1. Carvalho LM, Galo RM, Silva RHA. O cirurgião-dentista frente à violência doméstica: conhecimento dos profissionais em âmbito público e privado. Rev Fac Med de Ribeirão Preto 2013; 46(3):297-304.

2. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei Federal nº 8.069, 13 de julho de 1990.

3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. 2011.

4. Conselho Federal de Odontologia. Código de ética odontológica. 2012.

5. Alves PM, Cavalcante AL. Diagnóstico do abuso infantil no ambiente odontológico. Uma revisão de literatura. Publ UEPG Ci Biol Saúde 2003; 9(3/4):29-35.

6. Massoni ACLT, Ferreira AMB, Aragão AKR, Menezes VA, Colares V. Aspectos orofaciais dos maus-tratos infantis e da negligência odontológica. Cien Saude Colet 2010; 15(2):403-10.

7. Menoli AP, Felipetti F, Golff F, Ludwig D. Manifestações bucais de maus-tratos físicos e sexuais em crianças – conduta do cirurgião dentista. Rev Multi Unoeste Varia Sci 2008; 7(14):11-22.

8. Gawryszewski VP, Valencich DMO, Carnevalle CV, Marcopito LF. Maus-tratos contra a criança e o adolescente no estado de São Paulo, 2009. Rev Assoc Med Bras 2012; 58(6):659-65.

9. Garbin CAS, Rovida TAS, Costa AA, Garbin AJI. Percepção e atitude do cirurgião-dentista servidor público frente à violência intrafamiliar em 24 municípios do interior do estado São Paulo, 2013-2014. Epidemiol Serv Saúde 2016; 25(1):179-86.

10. Cairns AM, Mok JY, Welbury RR. The dental practitioner and child protection in Scotland. Br Dent J 2005; 199(8):517-20.

11. Cavalcanti AL. Prevalence and characteristics of injuries to the head and orofacial region in physically abused children and adolescents – a retrospective study in a city of the Northeast of Brazil. Dent Traumatol 2010; 26(2):149-53.

12. Maldonado DPA, Williams LCA. O comportamento agressivo de crianças do sexo masculino na escola e sua relação com a violência doméstica. Psicol Estud 2005; 10(3):353-62.

13. Assis SG, Avanci JQ, Pesce RP, Pires TO, Gomes DL. Notificações de violência doméstica, sexual e outras violências contra crianças no Brasil. Ciênc Saúde Colet 2012; 17(9):2305-17.

14. Azevedo MS, Goettems ML, Brito A, Possebon AP, Domingues J, Demarco FF, et al. Braz Child maltreatment: a survey of dentists in southern Brazil. Oral Res 2012; 26(1):5-11.

15. Moreira GAR, Rolim ACA, Saintrain MVL, Vieira LJES. Atuação do cirurgião-dentista na identificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes na atenção primária. Saúde Debate 2015; 39:257-67.

16. Guedes CR, Nogueira MI, Camargo JRKR. Os sofredores de sintomas indefinidos: um de safio para a atenção médica. Physis 2009; 19(3):797-815.

17. Nunes AJ, Sales MCV. Violência contra crianças no cenário Brasileiro. Ciênc Saúde Colet 2016; 21(3):871-80.

18. Almeida AHV, Silva MLCA, Musse JO, Marques JAM. A responsabilidade dos profissionais de saúde na notificação dos casos de violência contra crianças e adolescentes de acordo com seus códigos de ética. Arq Odontol 2012; 48(2):102-15.

19. Bsoul SA, Flint DJ, Dove SB, Senn DR, Alder ME. Reporting of child abuse: a follow-up survey of Texas dentists. Pediatr Dent 2003; 25(6):541-5.

20. Calza TZ, Dell’ Aglio DD, Sarriera JC. Direitos da criança e do adolescente e maus-tratos: epidemiologia e notificação. Rev SPAGESP 2016; 17(1):14-27.

21. Owais AI, Qudeimat MA, Godceih S. Dentists’ involvement in identification and reporting of child physical abuse: Jordanas a case study. Int J Paediatr Dent 2009; 19(4):291-6.

22. Kilpatrick NM, Scott J, Robinson S. Child protection: a survey of experience and knowledge within the dental profession of New South Wales, Australia. Int J Paediatr Dent 1999; 9(3):153-9.

23. Busato CA, Pereira TCR, Guaré RO. Maus-tratos infantis na perspectiva de acadêmicos de odontologia. Revista da Abeno 2018; 18(1):84-92.

24. Granville-Garcia AF, De Menezes VA, Silva PFRM. Maus tratos infantis: Percepção e responsabilidade do cirurgião dentista. Rev donto Cien 2008; 23(1):35-9.
Publicado
2019-12-18
Como Citar
Mattes da Silva, A., Santos, J., & Almeida, L. (2019). Conhecimento do cirurgião-dentista acerca de maus-tratos à criança e ao adolescente. Revista Da Faculdade De Odontologia - UPF, 24(2), 250-255. https://doi.org/10.5335/rfo.v24i2.10446
Seção
Investigação Científica