Declaração de Bolonha no contexto de mercantilização da educação superior: o discurso neoliberal dos organismos multilaterais

  • Telmo Marcon Universidade de Passo Fundo

Resumo

O presente artigo, de natureza bibliográfica e documental, discute a crescente mercantilização da educação. A questão orientadora é pensar se a Declaração de Bolonha propõe políticas educacionais inovadoras ou se aproxima de outros discursos difundidos por organismos multilaterais, de modo especial, o Banco Mundial. No âmbito dessa questão emergem inúmeras indagações em relação à tendência homogeneizadora presente na Declaração, assim como nas políticas educacionais apoiadas pelos organismos multilaterais no contexto de crescente mercantilização da educação superior. Na Declaração, perpassa um paradoxo entre a diversidade e a homogeneização. Há uma confluência de discursos entre os produzidos pelos organismos multilaterais com os presentes na Declaração de Bolonha de 1999, assim como nos comunicados posteriores. Isso expressa uma tendência à flexibilização da educação e das instituições universitárias, não para aprofundar as relações com atores sociais que historicamente ficaram à margem, mas orientada por princípios neoliberais, dentre os quais, a mercantilização da educação superior. Nesse sentido, pode-se dizer que Bolonha não propõe algo inovador, antes busca responder aos desafios de uma educação orientada pela lógica da eficiência e da flexibilidade. Esse processo é paradoxal na medida em que pauta questões importantes como o intercâmbio de estudantes e pesquisadores oriundos de países com experiências plurais em confronto com demandas de um mercado flexibilizado que prima por padrões e princípios homogeneizadores. Buscando aprofundar alguns desses aspectos inicia-se com uma introdução, na sequência reconstrói-se alguns pressupostos do neoliberalismo e o papel dos organismos multilaterais, com destaque para o Banco Mundial e, na parte final são expostas algumas reflexões sobre a Declaração de Bolonha e as considerações finais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Telmo Marcon, Universidade de Passo Fundo
* Doutor em História Social pela PUC/SP, professor e pesquisador na Faculdade de Educação e no Programa de Pós- Graduação em educação da Universidade de Passo Fundo. E-mail: temomarcom@gmail.com educacionais inovadoras ou se aproxima de outros discursos difundidos por organismos multilaterais, de modo especial, o Banco Mundial. No âmbito dessa questão emergem inúmeras indagações em relação à tendência homogeneizadora presente na Declaração, assim como nas políticas educacionais apoiadas pelos organismos multilaterais no contexto de crescente mercantilização da educação superior. Na Declaração, perpassa um paradoxo entre a diversidade e a homogeneização. Há uma confluência de discursos entre os produzidos pelos organismos multilaterais com os presentes na Declaração de Bolonha de 1999, assim como nos comunicados posteriores. Isso expressa uma tendência à flexibilização da educação e das instituições universitárias, não para aprofundar as relações com atores sociais que historicamente ficaram à margem, mas orientada por princípios neoliberais, dentre os quais, a mercantilização da educação superior. Nesse sentido, pode-se dizer que Bolonha não propõe algo inovador, antes busca responder aos desafios de uma educação orientada pela lógica da eficiência e da flexibilidade. Esse processo é paradoxal na medida em que pauta questões importantes como o intercâmbio de estudantes e pesquisadores oriundos de países com experiências plurais em confronto com demandas de um mercado flexibilizado que prima por padrões e princípios homogeneizadores. Buscando aprofundar alguns desses aspectos inicia-se com uma introdução, na sequência reconstrói-se alguns pressupostos do neoliberalismo e o papel dos organismos multilaterais, com destaque para o Banco Mundial e, na parte final são expostas algumas reflexões sobre a Declaração de Bolonha e as considerações finais.
Publicado
2015-12-07
Como Citar
MARCON, T. Declaração de Bolonha no contexto de mercantilização da educação superior: o discurso neoliberal dos organismos multilaterais. Revista Espaço Pedagógico, v. 22, n. 2, 7 dez. 2015.