A recepção da pedagogia do oprimido na Argentina: uma hipótese sobre a influência freireana na militância juvenil dos anos 1970

Palavras-chave: Pedagogia do oprimido. Movimentos juvenis. Liberação ou dependência. Argentina.

Resumo

O quinquagésimo aniversário da publicação da Pedagogia do oprimido inspira infindas reflexões pedagógicas, políticas e históricas. Na Argentina, a presença teórica de Paulo Freire foi decisiva para completar o terreno fértil dos movimentos emancipatórios dos anos 1970. As juventudes politizadas desenvolviam tarefas que iam desde o “apoio escolar e alimentício” em villas de emergência (favelas no Brasil) até os movimentos de guerrilha urbana que haviam decidido tomar o caminho da luta armada. Eram e se percebiam herdeiros dos Nacionalismos populares latino-americanos, a Revolução Cubana e a Teologia da libertação. Na Argentina, esses diferentes movimentos tiveram uma característica particular, seus membros aderiram majoritariamente ao Justicialismo. No começo dos anos 1970, a pedagogia do oprimido impulsionou uma prática conscientizadora, preparatória do terreno para a “libertação” dos povos. Porém, essa prática era única e original entre as pedagogias críticas. Sua originalidade estava em duas questões centrais: a) o oprimido era o protagonista de sua própria educação, por ser portador de uma “cultura” silenciada; e b) o saber deveria produzir-se mediante um “diálogo entre sujeitos iguais”. No marco político da revolução possível, Pedagogia do oprimido teve um protagonismo quase excludente. Seu autor continua sendo protagonista ainda hoje.

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Biografia do Autor

Margarita Sgró, Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires
Es Doctora en Educación por la Universidad Estadual de Campinas, Profesora titular del Departamento de Educación de la Facultad de Ciencias Humanas de la Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires. Área Filosófico-pedagógica.
Publicado
2021-03-15
Como Citar
SGRÓ, M. A recepção da pedagogia do oprimido na Argentina: uma hipótese sobre a influência freireana na militância juvenil dos anos 1970. Revista Espaço Pedagógico, v. 27, n. 3, p. 628-642, 15 mar. 2021.