ESPAÇO
PEDAGÓGICO
RESENHA
Revolução digital e educação: e agora?
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v. 26, n. 2, Passo Fundo, p. 605-611, maio/ago. 2019 | Disponível em www.upf.br/seer/index.php/rep
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*
Professora das redes municipal e estadual de ensino de Passo Fundo, RS. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: 52032@upf.br
Recebido em 23/09/2018 – Aprovado em 27/02/2019
http://dx.doi.org/10.5335/rep.v26i2.
Revolução digital e educação: e agora?
Maria Augusta D’Arienzo
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A escola é fundamental como base de transformação da sociedade, preparan-
do cidadãos com uma perspectiva comprometida com o humanitário, capazes de
construir o presente e aperfeiçoar o futuro. Por isso, a leitura da obra Trabalho,
educação e inteligência artificial: a era do indivíduo versátil, de Rui Fava (2018),
faz com que os educadores perturbados com as revoluções proporcionadas pelos
avanços das tecnologias digitais no contexto social reflitam acerca do papel e das
mudanças necessárias à educação para o século XXI.
No texto, Rui Fava (2018, p. 6) define a era do indivíduo versátil como o tempo
de “[...] imisção das tecnologias digitais, a robotização, a automação e a inteligência
artificial no mundo do trabalho e, consequentemente, no universo da educação, que
tem como propósito preparar profissionais-cidadãos para seu sucesso profissional
e pessoal”.
A parte 1, denominada pelo autor de Passado, presente, futuro, foi dividida em
quatro capítulos. No capítulo 1, Substituição do esforço físico por instrumentos e
ferramentas, Fava descreve a Revolução Agrícola usando os princípios que a carac-
terizam: patriarcalismo, artesanalidade, generalidade, emotividade, religiosidade,
estética e nomadismo. O conhecimento, a cultura e as habilidades eram trans-
mitidas aos jovens por meio da metodologia da imitação, ou seja, os aprendizes
reproduziam e imitavam os mais velhos de acordo com suas práticas, costumes e
hábitos. A escola contemporânea tem sua origem no final do século XVII, quando
há a adoção dos processos de ensino e aprendizagem como método de educação. As
modificações pelas quais a sociedade passou, da Revolução Agrícola para a Revolu-
ção Industrial, são abordadas pelo autor no capítulo 2, intitulado Substituição do
trabalho físico por máquinas mecanizadas. A Revolução Industrial ocorreu nos sé-
culos XVIII e XIX, o uso das máquinas mecanizadas levou à mudança do trabalho
artesanal para o assalariado e produziu uma das maiores angústias da sociedade:
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o trabalho forçado de crianças e adolescentes. Esse movimento fez com que a escola
ofertasse o ensino técnico, como forma de garantir mão de obra habilitada, treina-
da e disciplinada para atuar no setor manufatureiro, com o objetivo do crescimento
industrial. É preciso concordar com a afirmativa do autor, de que “[...] os princípios
tayloristas, a despeito de serem concebidos para o chão de fábrica, onde o trabalho
físico foi substituído por máquinas mecanizadas, ainda estão fortemente arraiga-
dos no sistema escolar contemporâneo” (FAVA, 2018, p. 37).
Ao tratar da Substituição do trabalho repetitivo por máquinas “inteligentes”,
Fava apresenta as transformações ocorridas na passagem da Revolução Industrial
para a Pós-industrial. O autor traz dois conceitos essenciais para compreender
os princípios defendidos na Revolução Pós-industrial: empregabilidade, conceito
que tem origem nos anos 1990 e refere-se à relação e à interdependência da empre-
sa com seu colaborador, ou seja, “quanto ele vale no sentido de transações, mercado
e aquisição de um emprego” (2018, p. 41); trabalhabilidade, que “[...] é como
a pessoa se vê produzindo economicamente, relaciona-se ao know-how de gerar
trabalho e/ou a versatilidade que um indivíduo possui de se ver produzindo na eco-
nomia criativa, por meio de atividades com múltiplas formas de trabalho” (2018, p.
41). Então, o autor declara que “[...] a escola deve ser um sistema vivo, um conjunto
de componentes que trabalha de forma homóloga, correlata, interdependente com
objetivos compartilhados, e não ser uma instituição que gere apenas lucro para
seus acionistas” (2018, p. 44). Enquanto o emprego era abundante, as escolas preo-
cupavam-se em melhorar a empregabilidade de seus egressos, porém, na era em
que prevalecem a inteligência artificial e a automação, o foco das instituições de
ensino é sobre a trabalhabilidade, ou seja, formar empreendedores, afirma Fava.
Substituição do trabalho preditivo por automação, robotização e inteligência
artificial provocando o fim do vínculo empregatício é o título eleito pelo autor para
o capítulo 4. Nele, descreve a Revolução Industrial a partir de dados de pesqui-
sas desenvolvidas na América do Norte, Europa e Ásia, considerando o futuro do
trabalho e a conjuntura de metamorfose provocada pela robotização, automação e
inteligência artificial. Reconhece-se como autêntico o que o autor afirma acerca da
utilização das tecnologias na educação:
O comedimento necessário na adoção das tecnologias nos processos de ensino e de aprendi-
zagem eventualmente é confundido com resistência, às vezes real, de olhar o futuro. Muitos
educadores o temem, por estarem presos ao presente, ao curto prazo. Não querem predicar
como será o futuro da educação, com receio, incerteza e medo da rapidez das mutações
causadas na sociedade, no mercado, no mundo, por meio da IA (FAVA, 2018, p. 56).
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Fava relata os avanços da inteligência artificial em dispositivos que interagem
com as pessoas e, ainda, defende que a evolução da convivência entre o ser humano
e as máquinas inteligentes continuará a evoluir. Nessa perspectiva, a educação
necessitará proporcionar atividades para os estudantes de maneira mais lúdica,
desafiadora, relevante, criativa e investigativa, para que possam criar os seus pró-
prios projetos e aproveitar as oportunidades do avanço das tecnologias.
A Parte 2 da obra está dividida em sete capítulos e leva o subtítulo de Disrup-
ção singular. No capítulo 5, Papel e tinta preta versus tela digital, Fava reconta
as realizações humanas relevantes na história do mundo, iniciando pela história
antiga, quando a palavra falada era muito relevante, passando pelo surgimento da
escrita, pela criação da prensa de Gutenberg, momento da substituição da cultura
escrita pela cultura do livro, deslocando-se até a transmissão eletrônica de textos.
Metamorfose tão disruptiva quanto a mudança da cultura da escrita para a cultura
do livro é a transmutação da cultura do livro para a cultura das telas. O autor utili-
za referências do historiador francês Roger Chartier para exemplificar o momento
de transformação da técnica de produção e reprodução de textos, ponderando que
não muda apenas o suporte de leitura, mas, também, os modos de ler. Os educado-
res e os processos de ensino e aprendizagem são fundamentados no texto escrito,
por isso, sentem-se provocados pela fluidez da cultura da tela, diz Fava.
Realidade aumentada e realidade virtual é a designação do tema desenvolvido
pelo autor no capítulo 6, no qual se empenha em diferenciar a realidade aumen-
tada da realidade virtual, tendo em vista que ambas pertencem ao universo da
tecnologia imersiva e, por vezes, erroneamente, são tratadas como sinônimos. Para
a educação, Fava diz que essas tecnologias aproximam o conteúdo à experiência
dos estudantes com o mundo digital. “Eles podem desfrutar de imagens integradas
à realidade tridimensional, que fogem do padrão apenas bidimensional dos objetos,
como vídeos e e-books interativos” (FAVA, 2018, p. 77). Sendo assim, os conteúdos
podem ser apresentados de forma a serem melhores compreendidos pelos estudan-
tes, pois aquilo que era distante, por meio dessas tecnologias, torna-se parte da
rotina dos processos de ensino e aprendizagem.
A partir do título do capítulo 7, Deuses e deusas da tecnologia, pode-se inferir
que o autor fez uso da narrativa mitológica, dos mitos e das características dos
deuses e deusas gregos para comparar determinadas tecnologias. Primeiramente,
a partir do mito da Caixa de Pandora, refere-se à tecnologia, pois, como o mito, ela
possui aspectos positivos e negativos. A descrição da evolução do acesso à internet
foi assemelhada a Deméter, a deusa grega da fartura, pois o termo representa a
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eficiência, a facilidade e a velocidade de informações que o ser humano tem acesso
pela rede de computadores. O processo de criação da TV foi representado por Her-
mes, deus da eloquência, da arte de bem falar, dos viajantes, dos negociadores, dos
espertalhões, mas também dos trapaceiros e dos corruptos. A deusa Mnemosine
e suas encantadoras divas foram escolhidas para significarem a diversidade dos
smartphones. Ao rei dos reis, senhor do Olimpo e deus do trovão, Zeus, coube repre-
sentar a poderosa inteligência artificial (IA) no Olimpo tecnológico. Baseado numa
ficção tangível, Fava também apresenta a origem da IA a partir de personagens do
universo real das tecnologias, como Stephen Hawking, Bill Gates e Elon Musk, os
quais expressam estarem estarrecidos com a possibilidade da revolução das máqui-
nas, pois o potencial da IA é de tornar-se mais inteligente do que qualquer ser hu-
mano. No contexto educacional, Fava reconhece que “[...] o ensino superior já vem
sofrendo forte impacto sobre o perfil de formação do egresso. Mesmo em atividades
especializadas, encontram-se softwares que substituem o ser humano” (2018, p.
102). O Direito é um dos exemplos, há sistema inteligente que concebe, elabora e
constrói petições e recursos com mais sucesso que os advogados.
No capítulo 8, Novos paradigmas para a educação e para o trabalho, Fava
identifica que a escola de massa, originada na Revolução Industrial, conserva-se
até a atualidade. Considerando que, durante esse período, dois séculos, o perfil
dos estudantes, a sociedade, o mercado de trabalho e a tecnologia modificaram-se,
redefiniram-se e transmutaram-se, somente a escola mantém as características de
sua origem. É óbvio que não basta apenas o conteúdo e a prática serem relevantes
para ocorrer a aprendizagem, pois a sua efetividade se dá também pela influência
da forma, da expressão facial, da postura corporal, do tom de voz, portanto, o cor-
po é mediador e significativo no processo de ensino. Os estudantes frequentam o
ambiente escolar na busca de experiência, de encantamento, de interação com os
sujeitos, da cooperação entre pares e da satisfação de se identificar como parte de
um grupo.
Na sequência, o Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci, foi escolhido por
Fava para representar o homem versátil, o qual o autor considera de vital impor-
tância para o sucesso e a manutenção da vida em tempos de inteligência artificial.
A partir disso, no capítulo 9, intitulado Indivíduo versátil, o Homem Vitruviano, há
a descrição das características necessárias ao indivíduo versátil em um mundo que
requer interação, colaboração e participação. Indivíduos versáteis têm capacidade
de adaptação, aprendizagem e crescimento constante, renovando-se em um cenário
de desenfreada metamorfose. Nesse cenário, às escolas cabe a preparação de estu-
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dantes com “[...] amplitude nos braços, mobilidade, profundidade, flexibilidade nas
pernas, sabendo que o conhecimento é efêmero, que as ocupações de hoje poderão
não ser as mesmas de amanhã” (FAVA, 2018, p. 117). As instituições de ensino
precisam se conscientizar de que os conteúdos oriundos das ciências humanas e
sociais auxiliam a pensar que os indivíduos/líderes desenvolvem tarefas de caráter
subjetivo, qualitativo e emocional e não apenas com matérias de natureza quanti-
tativa e racional.
No capítulo 10, Inteligências necessárias para o século XXI, Fava destaca
quatro inteligências fundamentais para o êxito profissional e pessoal no mundo
digitalizado, gradativamente automatizado, robotizado, em que as funções físicas,
repetitivas e preditivas estão sendo substituídas pelas criações de computação e in-
teligência artificial, são elas: cognitiva, emocional, volitiva e decernere. Ao término
da caracterização das quatro inteligências, entende-se que as escolas necessitam
implementar currículos por competência e instituir metodologias ativas que desen-
volvam as quatro sapiências, com o foco na instrução de profissionais capazes de
terem atitudes positivas e objetivos concretos.
Fava, de maneira objetiva, descreve, no capítulo 11, denominado O iluminis-
mo está de volta e provoca o fim da Era da Informação e o advento da Era da Expe-
riência, que as escolas necessitam ensinar os estudantes a processar, a discernir e
a escolher de modo correto as informações e transformá-las em conhecimento, pois
o acesso aos conteúdos não é mais considerado um problema.
A parte 3 da obra, Futuro da educação ou educação do futuro, está subdividida
em seis capítulos. O capítulo 12, Tecnologia, automação e educação, traz a discus-
são acerca dos seguintes questionamentos: que tipos de ofícios estão sujeitos à au-
tomação? Quais serão as competências necessárias para as novas ocupações? Como
preparar estudantes para as funções que realmente existirão quando se formarem?
Para problematizar as questões, o autor traz análises de pesquisas da Europa,
dos Estados Unidos e do Brasil, especificamente, estatísticas do Exame Nacional
de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2015, concluindo que o modelo educa-
cional brasileiro está falido, pois não se harmoniza com a evolução tecnológica, o
desenvolvimento do mercado e o surgimento de novas profissões.
A Educação no mundo contemporâneo é a reflexão proporcionada pelo autor no
capítulo 13. Enquanto os países desenvolvidos tratam a educação com seriedade,
o Brasil trabalha em oposição ao avanço da automação, perde competitividade,
distancia-se dos benefícios que a tecnologia proporciona à inovação dos processos
de ensino e aprendizagem. Utilizando exemplos de educação de países como Ale-
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manha, Finlândia e Reino Unido, o autor discute e propõe um modelo de currículo
que pense no futuro, “[...] aprender com jovens, não de idade, mas de espírito, e não
mais com os mais velhos que não estão acompanhando a metamorfose promovida
pela inteligência artificial” (FAVA, 2018, p. 144-145). Os objetivos, os princípios e os
propósitos do currículo devem ser estabelecidos pela tecnologia, pelo futuro e pelos
jovens, criando um currículo educacional flexível, adaptável e por competências
comportamentais, humanas e técnicas. Esse currículo propiciará conteúdos, mate-
riais didáticos, tecnologias e metodologias ativas.
Na sequência, no capítulo 14, Aprendizagem ativa e experimental, Fava redige
sobre a aprendizagem, destacando que ela é um tema complexo, múltiplo, hetero-
gêneo, o que dificulta delimitá-la. O autor apresenta as perspectivas da taxonomia
da aprendizagem ativa e experimental, ou seja, conhecimento, discernimento, aná-
lise, compreensão, aplicação e avaliação, detalhando cada uma a partir dos proces-
sos de ensino e aprendizagem, e afirma que, “[...] para atingir o estrato aplicação,
é preciso dominar o discernimento e a análise da escolha, bem como a compreensão
dos conhecimentos a serem adquiridos” (2018, p. 151, grifo do autor). Conclui que a
educação é plural, ou seja, para cada conteúdo, habilidade e/ou competência desen-
volvido, há várias estratégias de aprendizagem ativa. Nesse sentido, expõe alguns
exemplos, como: Peer Instruction; Think-Pair-Share; Turn and Talk; Polling.
Dando continuidade ao tema da aprendizagem, no capítulo 15, Currículo por
competências, Rui Fava relata que estudos mostram a exigência de indivíduos ver-
sáteis, que apresentam como características o pensamento divergente, a produção
de ideias, a pró-atividade, a flexibilidade e a originalidade. Para tanto, os currí-
culos precisam privilegiar o desenvolvimento das quatro inteligências citadas no
capítulo 10 e tornar a sala de aula dinâmica, aberta, fluida, com foco no ensino de
hábitos de mentes reflexivas. O autor afirma que os currículos por competências
são mais apropriados, por serem “[...] flexíveis, adaptáveis, desenvolvem concei-
tos, procedimentos, atitudes, pensamento crítico e criatividade, tão necessários no
mundo no qual as ocupações físicas, repetitivas e preditivas estão sendo realizadas
por automação, robotização e máquinas munidas de inteligência artificial” (FAVA,
2018, p. 166).
Competências atitudinais na educação 3.0 é a designação e o tema escolhido
por Fava para o capítulo 16. Cooperação, resiliência, ética e liderança são as com-
petências atitudinais que, na visão do autor, deverão integrar a relação de objeti-
vos educacionais das escolas contemporâneas. Finalizando a obra, o capítulo 17
recebe um questionamento: Como será a educação superior na próxima década?
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Nele, Fava faz uma retomada dos elementos apresentados na parte três da obra
e afirma que as mudanças pelas quais passarão os currículos, consequência das
tecnologias digitais e da inteligência artificial, promoverão uma singularidade na
educação. O autor sugere o PDCA Acadêmico, citado em sua obra Educação 3.0:
aplicando o PDCA nas instituições de ensino, de 2015, e explica que esse modelo
é uma adaptação do PDCA proposto por Walter Andrew Shewhart, no qual P – de
Plan – descreve o que e por que ensinar; D – de Do –, como ensinar; C – de Check
–, modalidade ofertadas; A –de Act –, avaliação de todos os processos. Conforme
Fava, o PDCA Acadêmico possui as seguintes etapas: planejamento, organização
curricular, avaliação, disponibilização e distribuição.
“A Era da Inteligência Artificial proporcionará uma transição disruptiva, por-
tentosa e impactante na educação com respeito à escolha, à organização, à dispo-
nibilização, à distribuição e à avaliação do processo de ensino e de aprendizagem”
(FAVA, 2018, p. 4). Essa metamorfose é inevitável, portanto, ser expectador é um
equívoco, mas a tecnologia sem intermediário não é o primordial disruptor, o es-
sencial é compreender as necessidades e a visão do stakeholder, ou seja, da pessoa
ou do grupo que tem interesse. Então, à educação é vital evoluir, valorizando as
demandas do perfil de estudantes e do contexto contemporâneo, pois os robôs não
substituirão os docentes integralmente, mas auxiliarão a aprimorar o desenvolvi-
mento dos processos de ensino e aprendizagem.
A obra é complementada pelas ilustrações de Leonardo Davi de Souza Neves
e integra a série Desafios da Educação. Rui Fava é formado em Administração e
Ciências Contábeis, doutor em Ciências da Educação pela Universidad Católica
de Santa Fé, Argentina. Atualmente, é reitor da Universidade de Cuiabá (UNIC),
vice-presidente da Kroton Educacional e sócio-fundador da Atmã Educar.
Referência
FAVA, Rui. Trabalho, educação e inteligência artificial: a era do indivíduo versátil. Porto Alegre:
Penso, 2018.