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Ambientalização curricular: estudo de caso do curso de tecnologia em logística
Curricular environmental: case study of the logistics technology course
Mario Sergio Cunha Alencastro
*
Jorge Wilson Michalowski
**
Resumo
Em consonância com os princípios da transversalidade e da interdisciplinaridade, procurou-se vericar, no currí-
culo do curso, uma abordagem metodológica que contemplasse, mediante metodologias ativas e participativas,
um processo de ensino e aprendizagem que tratasse as questões ambientais de forma transversal e integrada.
Nesse contexto, este estudo procurou analisar como se insere a ambientalização curricular. A pesquisa desenvol-
vida, um estudo de caso que utilizou como instrumentos a pesquisa bibliográca, a análise documental, a obser-
vação participante e o grupo focal, demonstrou que a prática ambiental pode ser trabalhada de maneira trans-
versal e interdisciplinar, aliada com o mercado atual, em busca de soluções para problemas reais. Este estudo de
caso proporcionou uma evolução signicativa na construção do conhecimento dos alunos, futuros prossionais
de logística, os quais demonstraram mais interesse nos conteúdos quando colocados à frente de problemas
reais de empresas, tendo que indicar soluções para um mercado competitivo do qual em breve serão parte ativa.
Palavras-chave: Ambientalização curricular. Educação ambiental. Tecnologia educacional.
Abstract
In line with the principles of transversality and interdisciplinarity, the course curriculum was designed as a me-
thodological approach that contemplated, through active and participatory methodologies, a teaching and
learning process that addressed environmental issues in a transversal and integrated way. In this context the
present study sought to analyze how the curricular ambientization is inserted. The research developed, a case
study, used as instruments the documentary analysis, participant observation and focus group. The research
developed shows that the environmental practice can be worked in a transversal and interdisciplinary way allied
with the current market, through the practice in the search for solutions to real problems. This case study pro-
vided a signicant evolution in the knowledge construction of the students, future logistics professionals, who
showed more interest in the contents, when faced with real problems of companies, having to present solutions
for a competitive market in which they will soon be active.
Keywords: Curricular Ambientalization. Environmental education. Educational technology.
*
Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná. Professor Pesquisador no Mes-
trado em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional, Brasil. E-mail: siderly.a@uninter.com
**
Mestre em Educação e Novas Tecnologias pelo Centro Universitário Internacional. Professor da FAE Centro Universi-
tário, consultor em planejamento e logística, sócio-diretor da Magnicat Consultoria em Planejamento e Logística,
Brasil. E-mail: jotawil@terra.com.br
Recebido em 27/09/2018 – Aprovado em 31/01/2019
http://dx.doi.org/10.5335/rep.v26i2.8686
Ambientalização curricular: estudo de caso do curso de tecnologia em logística
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Introdução
Esta pesquisa inicia-se com o estudo da ambientalização curricular vincula-
da aos princípios da transversalidade e da interdisciplinaridade, o qual procurou
verificar, no currículo do curso de Tecnologia em Logística, uma abordagem me-
todológica que contemplasse, mediante metodologias ativas e participativas, um
processo de ensino e aprendizagem que tratasse as questões ambientais de forma
transversal e integrada.
A inserção de conhecimentos, valores sociais e éticos e questões ambientais
nos estudos e currículos universitários é de suma importância para o desenvol-
vimento de um profissional educado para a sustentabilidade socioambiental, no
sentido de torná-lo comprometido com a sociedade, para que esta tenha mais qua-
lidade de vida, permitindo que as gerações futuras usufruam de um meio ambiente
propício à vida.
Relatam Speller, Robl e Meneghel (2012) que vários países do mundo debatem
sobre a alteração em seus sistemas de ensino e indagam sobre a contribuição das
instituições de ensino superior (IESs) na construção do conhecimento diante dos
desafios da globalização e da responsabilidade social, possibilitando o desenvolvi-
mento de uma sociedade mais justa, que tenha consciência dos valores éticos, para
garantir melhor qualidade de vida.
Leff (2002), por sua vez, afirma que a crise ambiental é um problema do tem-
po atual e que gera discussão e reflexão a respeito do conhecimento ambiental,
pois está voltada à construção de uma sociedade justa e sustentável. A inserção
ambiental não deve limitar-se às disciplinas na matriz curricular, mas envolver
ações práticas estruturadas, em que o processo ambiental possa ocorrer dentro do
funcionamento da IES. Diante do exposto, este estudo analisa a inserção da educa-
ção ambiental no currículo do curso de Tecnologia em Logística, por meio de uma
reforma acadêmica que alinhou o ensino do citado curso ao mercado.
A escolha por esse curso originou-se da necessidade de realizar uma reforma
acadêmica nele. Considerando do atual Projeto Pedagógico do Curso (PPC), perce-
beu-se que não havia em seu arcabouço a ambientalização curricular. Da mesma
forma, a interdisciplinaridade não estava adequada, não permitindo que a prá-
tica da realidade das questões da vida fosse vivenciada. Para isso, foi necessário
analisar a legislação pertinente quanto à educação ambiental, os instrumentos de
avaliação de curso do Ministério da Educação no tocante ao contexto educacional
na introdução no currículo do processo de ensino-aprendizagem, o PPC e o Plane-
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jamento de Desenvolvimento Institucional (PDI), sustentado pelos estudos sobre
ambientalização curricular de renomados autores.
O objetivo geral foi, por meio da reforma acadêmica, desenvolver a ambien-
talização curricular, inserindo a dimensão socioambiental, em que é tratada de
forma inadequada. De forma secundária, foi estudada a legislação e procurou-se
investigar outras instituições que oferecem o mesmo curso, com a expectativa de
entender se aplicam a ambientalização curricular.
A IES em que foi realizada a pesquisa trata-se de um centro universitário par-
ticular, sediado na cidade de Curitiba. Com a análise do PDI e do PPC, verificou-se
que a preocupação da universidade é trabalhar na prática a temática ambiental,
mediante oficinas, embora tenha no currículo conteúdos em disciplinas específi-
cas, como logística reversa e internacional e o estudo do homem contemporâneo.
Analisaram-se três semestres, com três oficinas e três feiras de logística, em que
os alunos apresentaram soluções sustentáveis para problemas elaborados por eles
mesmos e de empresas do mercado, que contribuíram durante esse período indi-
cando problemas reais a serem solucionados pelos acadêmicos.
Ambientalização curricular
Para adentrar na ambientalização curricular, torna-se necessário entender os
conceitos que a norteiam. Relembrando Leff (2002), a crise ambiental é um proble-
ma do tempo atual, que conduz à discussão e à reflexão sobre temas ambientais.
Nesse contexto, as IESs tornam-se muito importantes na inserção da temática am-
biental, haja vista ser um problema de conhecimento para o qual é imprescindível
repensar as práticas humanas e seus efeitos sobre o meio ambiente com relação à
preservação da vida de todas as espécies (GUERRA; FIGUEIREDO, 2014).
Segundo Guerra e Figueiredo (2014), a ambientalização curricular inclui in-
serir conhecimentos, critérios e valores sociais, éticos e ambientais nos currículos
universitários, visando a educar para a sustentabilidade socioambiental. Comple-
mentarmente, Kitzmann (2007 apud GUERRA; FIGUEIREDO, 2014) indica que,
ao avaliar esse processo, discutem-se também os conceitos de ambientalização e
de educação ambiental formal e não formal, buscando identificar a integração da
dimensão ambiental em todos os níveis educativos.
De acordo com Kitzmann e Asmus (2012 apud GUERRA; FIGUEIREDO,
2014), tal conceito se define como um processo de inovação por meio de interven-
ções que objetivam integrar temas socioambientais aos conteúdos e às práticas das
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instituições de ensino. Assim, a ambientalização da IES tem um sentido mais am-
plo, ao compreender o currículo, a pesquisa, a extensão e a gestão ambiental, sendo
um processo contínuo e dinâmico, para que se torne um autêntico espaço educador
sustentável (GUERRA; FIGUEIREDO, 2014). Diante disso, a inserção da educação
ambiental no ensino superior deve iniciar na construção do PPC, pois somente as-
sim ela se tornará efetiva e integrada, como determina a legislação pertinente. En-
tende-se também que a ambientalização é capaz de tratar da transversalidade nos
aspectos formativos extracurriculares, com a participação de todos os indivíduos.
Na esteira da definição de ambientalização curricular, Alencastro e Souza
Lima (2015, p. 21) desenvolvem uma reflexão epistemológica a respeito do conceito
de educação ambiental, parte daquela conceituação anterior, quando afirmam que:
[...] atualmente a questão ambiental faz-se presente nas abordagens sobre currículo, for-
mação de professores, pesquisa e ensino em todos os níveis, e já existe um consenso sobre
a importância da educação ambiental e sua inclusão curricular – como disciplina ou tema
transversal – na elaboração de diversos programas educacionais.
É nesse contexto que a abordagem da ambientalização curricular deve ser
entendida e aplicada no âmbito educacional, com vistas a gerar os espaços necessá-
rios às reflexões a respeito da educação ambiental, permitindo que os professores
entendam e apliquem metodologias e tecnologias para atender às demandas das
temáticas ambientais atuais, com a premissa de perpetuar um futuro vindouro
com mais sustentabilidade e justiça social.
Legislação ambiental no curso superior
Ao abordar a ambientalização curricular, faz-se necessário analisar a legisla-
ção brasileira sobre educação ambiental, para elencar seus principais pontos nor-
teadores na educação.
A educação ambiental foi oficializada pelo Decreto nº 73.030, de 30 de outubro
de 1973, cuja letra i do art. 4 prevê: “Promover, intensamente, através de progra-
mas em escala nacional, o esclarecimento e a educação do povo brasileiro para o uso
adequado dos recursos naturais, tendo em vista a conservação do meio ambiente”
(BRASIL, 1973, não paginado). Já a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em seu
art. 2º, inciso X, é muito enfática no sentido de ter como princípio a “[...] educação
ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objeti-
vando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente” (BRASIL,
1981, não paginado).
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A Constituição federal de 1988 aborda as questões ambientais em capítulo
próprio e apresenta as bases da educação ambiental em seu art. 225, § 1º, inciso
VI, em que cita:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso co-
mum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coleti-
vidade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1o Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:
[...]
VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização públi-
ca para a preservação do meio ambiente (BRASIL, 1988, não paginado).
Ainda, o Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, que regulamenta a Lei nº
6.902, de 27 de abril de 1981, e a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, estabelece,
em seu art. 1º, inciso VII: “[...] orientar a educação, em todos os níveis, para a ativa
participação do cidadão e da comunidade na defesa do meio ambiente, cuidando
para que os currículos escolares das diversas matérias obrigatórias contemplem o
estudo da ecologia” (BRASIL, 1990, não paginado).
Portanto, torna-se necessário que as instituições de ensino tomem conheci-
mento e apresentem ações práticas no cumprimento da legislação, a fim de al-
cançar os objetivos que esta propõe. Nesse sentido, o Plano Nacional de Educação
(PNE), aprovado pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, com vigência entre
2014 e 2024, define metas como compromissos entre o Estado e as instituições de
ensino para o avanço da educação brasileira, no intuito de consolidar e garantir
que o sistema educacional promova a formação para o trabalho, com o firme exer-
cício da cidadania, ao estabelecer, no item X do art. 2º, “promoção dos princípios do
respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental”
de suas diretrizes (BRASIL, 2014, não paginado).
Complementarmente, o Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação
Presencial e a Distância (BRASIL, 2017), em seu item 1.5, sobre conteúdos curri-
culares, Dimensão 1 – Organização didático-pedagógica, enfatiza que a IES deve
abordar conteúdos pertinentes à política de educação ambiental, previstos e im-
plantados de maneira excelente para o desenvolvimento do perfil profissional do
egresso, de forma sistêmica e global, corroborado pelo item 16, dos requisitos legais
e normativos, em que consta que a temática ambiental deve ser trabalhada de
forma transversal.
Com o avanço tecnológico do século XXI, o Brasil e os demais países do mundo
continuam em evolução constante, com a finalidade de normatizar cada vez mais a
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questão ambiental no contexto educacional, conforme as leis descritas nesse espaço
histórico.
Aprendizagem baseada em problemas
No decorrer da pesquisa, verificaram-se os conceitos de ambientalização e o
conteúdo da legislação vigente relativa à educação superior e à educação ambiental,
tornando-se fundamental uma mudança de comportamento, com o envolvimento e o
comprometimento do indivíduo e da coletividade no sentido de construir uma socie
-
dade pautada na responsabilidade social, não somente com a teoria, mas atuando
com ações práticas, pois, de acordo com a afirmação de Freire (1996, p. 21), todo
educador necessita entender e saber que “[...] ensinar não é transferir conhecimen
-
to, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.
Entre as possibilidades de abordagem metodológica que contemple o uso de
metodologias ativas e participativas nos processos de ensino e aprendizagem, des-
taca-se a aprendizagem baseada em problemas (ABP). Trata-se de um modelo di-
dático que proporciona ensino-aprendizagem integrado e contextualizado e cuja
inspiração deu-se por meio da teoria de John Dewey (PEREIRA et al., 2007). Com
a utilização da pedagogia ativa ou da ação de Dewey, a proposta é que a aprendiza-
gem se origine a partir de problemas ou circunstâncias situacionais que deixam a
desejar, gerando desconforto ou dúvidas, possibilitando usar experiências reais que
motivem os alunos a práticas de investigação, para encontrar uma solução criativa,
inovadora e eficaz para os problemas.
Souza e Dourado (2015) identificam quatro vantagens da ABP: (i) a motiva-
ção, pelo dinamismo dos estudantes para aprender; (ii) a interação do conhecimen-
to, uma vez que o estudante realiza ações práticas, o que possibilita a fixação eficaz
do conhecimento adquirido; (iii) a habilidade do pensamento crítico dos conheci-
mentos, proporcionando condições para analisá-los criticamente para encontrar a
solução dos problemas; (iv) a interação das habilidades interpessoais, fundamen-
tais para o trabalho em equipe. Quanto aos métodos, estes se baseiam na teoria
construtivista de Jean Piaget e no método de investigação-ação de Paulo Freire,
colocando-se como uma alternativa pedagógica em relação aos demais métodos de
ensino existentes.
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Percurso metodológico da pesquisa
Nesta pesquisa, optou-se pela estratégia de estudo de caso, tendo em vista que
se pretende aprofundar uma unidade individual. Segundo Collis e Hussey (2005),
o estudo de caso é o exame extensivo de um único exemplo de interesse, conside-
rando-se uma abordagem fenomenológica. Por sua vez, Yin (2015, p. 17) enfatiza
que: “[...] o estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenôme-
no contemporâneo (o ‘caso’) em profundidade e em seu contexto de mundo real, e
especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não puderem ser
claramente evidentes”.
O caso escolhido foi o do curso de Tecnologia em Logística de uma IES par-
ticular da cidade de Curitiba, no qual se iniciou um processo de ambientalização
curricular. Para sua consecução, foram utilizados como recursos a pesquisa biblio-
gráfica, a análise documental, a observação participante e o grupo focal.
Na etapa do grupo focal, convidaram-se 16 representantes de empresas dos
setores de indústria, varejo e serviços, dos quais somente 10 estiveram presen-
tes, com a finalidade de realizar uma reunião para apresentação da nova matriz
curricular. A escolha desse recurso deveu-se por se tratar de um método de coleta
de dados que, de acordo com Vergara (2010), tem por objetivo a discussão de um
tópico específico para possibilitar a coleta de informações por meio das interações
grupais, diante de um debate aberto em torno de um tema de interesse comum aos
participantes.
Foi apresentado aos participantes que o objetivo do grupo focal era visualizar
a nova matriz curricular, elaborada dentro de aspectos técnicos, e perceber como a
interdisciplinaridade, a transversalidade e a ambientalização se faziam presentes,
a fim de contribuir no processo de sua melhoria, com suas percepções, atitudes e
práticas de mercado, de modo a atender adequadamente às exigências do próprio
mercado.
Por sua vez, a observação participante possibilitou aos pesquisadores fazer
parte da equipe que desenvolveu o estudo de caso, tendo contato direto e frequente
com os envolvidos no processo da reforma acadêmica, pelo período de um ano e
meio, em que foram ativos, configurando-se, portanto, uma observação participan-
te completa.
A IES sobre a qual este estudo debruçou-se localiza-se na cidade de Curitiba,
no estado do Paraná, sendo o terceiro estado com curso de Tecnologia em Logística,
o que demonstra a importância deste, bem como a aceitação pelo mercado de traba-
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lho. A escolha do curso em questão e dos participantes da pesquisa deveu-se ao fato
de ele ter recebido a designação de um novo coordenador, assim como à necessidade
de realização de uma reforma acadêmica, exigência do regulamento interno da uni-
versidade quando transcorrido quatro anos da última. É importante ressaltar que
o PPC prevê a formação de profissionais em Logística, contemplando o desenvolvi-
mento de competências e habilidades na correta gestão dos impactos ambientais,
apresentando soluções eficientes e eficazes, com postura ética e responsável.
Os trabalhos envolveram outros coordenadores de cursos de tecnologia, os
quais estavam na mesma situação de reforma curricular de seus cursos, a saber,
Gestão Comercial e Gestão Financeira. Sendo todos cursos de tecnologia, enten-
deu-se que seria importante que os três cursos elaborassem a reforma acadêmica
de maneira conjunta na parte comum, com as particularidades tratadas pelo seu
respectivo coordenador, diante da legislação e das diretrizes pertinentes. Cons-
truiu-se um cronograma de trabalho, em que as reuniões aconteceriam na IES,
com a direção de campus, os coordenadores e a equipe de suporte da Diretoria Aca-
dêmica, que estavam empenhados em proporcionar todo o apoio necessário para
que a reforma tivesse cunho inovador e sustentável.
A matriz curricular, segundo o coordenador do curso, foi organizada por com-
petências, de modo a possibilitar a aplicação do conhecimento adquirido durante o
semestre numa prática de solução de um problema real de uma empresa ou de sua
própria necessidade profissional (Quadro 1).
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Quadro 1 – Características da ambientalização da matriz curricular do curso de Tecnologia em Logística
Matriz Curricular - Características de um estudo ambientalizado
Característica Descrição
1 - Complexidade
As oficinas de gestão, de projeto de armazéns, de gestão de distribuição e de
gestão de logística lean contextualizam.
2 - Ordem disciplinar:
flexibilidade e permeabi-
lidade
A matriz contempla a participação de diferentes profissionais das áreas do conhe-
cimento. Utiliza temáticas atuais relativas à logística. Há disciplinas obrigatórias e
optativas I e II.
3 - Contextualização
As oficinas de gestão incorporam problemas reais locais e globais, possibilitando
incorporar as dimensões ambiental, social e econômica, com parcerias em em-
presas. Essa situação é concluída com a Feira de Logística e a apresentação das
soluções pelas equipes.
4 - Considerar o sujeito da
aprendizagem na constru-
ção do conhecimento
As disciplinas têm adequação metodológica com a participação de alunos e pro-
fessores de forma equilibrada.
5 - Considerar aspectos
cognitivos, afetivos e de
ação das pessoas
A instituição, por meio do curso, fornece apoios psicológico, pedagógico e econô-
mico aos alunos, como a saúde escolar, o sistema de bolsas e financiamentos e os
cursos de extensão, com vistas a melhorar a performance dos alunos nos estudos.
6 - Coerência e reconstru-
ção entre teoria e prática
Os alunos, em todas as disciplinas, realizam trabalhos práticos e coerentes com
a teoria, com identificação de atitudes individuais e coletivas no desenvolvimento
dos projetos. Já houve projetos que se tornaram empresas reais.
7 - Orientação prospecti-
va de cenários alterna-
tivos
Em todos os conteúdos ministrados, há a preocupação da formação do profissio-
nal comprometido com o futuro e a sociedade, bem como se busca a utilização de
tecnologias atuais com visão do futuro, como Google Classroom, Mobile, Google
Drive, etc.
8 - Adequação metodo-
lógica
Presença de estudos de campo. Utilização da metodologia de resolução de pro-
blemas e metodologias participativas e ativas, tais como (ABP) e entre pares ou
times.
9 - Oferecer espaços de
reflexão e participação
democrática
Práticas de trabalhos participativos e colaborativos estão previstas em todas as
disciplinas, com participação de alunos e professores.
10 - Compromisso para a
transformação das rela-
ções sociedade-natureza
Característica que será abordada no decorrer do curso.
Fonte: elaboração dos autores, 2018.
Essa matriz, embora atendesse aos requisitos legais e aos da instituição em
estudo, ainda não havia sido validada pelo mercado de trabalho, ou seja, pelas em-
presas que no futuro utilizarão os serviços profissionais dos estudantes que irão co-
lar grau e receber o diploma de Tecnólogo em Logística e terão atuação real nessas
organizações, que anseiam por resultados auspiciosos para torná-las mais competi-
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tivas e eficientes em seu segmento de mercado. Para tanto, o coordenador convidou
empresários dos segmentos indústria, comércio e serviços para um encontro, em
13 de setembro de 2016, com a finalidade de fazer uma investigação qualitativa,
do tipo grupo focal, sobre os anseios e as necessidades das empresas que represen-
tavam, validando a matriz curricular elaborada e fazendo ajustes e adequações
necessários para considerar as demandas atuais do mercado e de sustentabilidade.
O encontro contou com a presença de dez empresas, por meio de seus repre-
sentantes, entre eles, diretores, gerentes, funcionários e ex-alunos do curso, tota-
lizando 13 pessoas. Apresentada a metodologia empregada na reforma acadêmica
e na matriz curricular, passou-se a palavra para que os presentes apresentassem
suas percepções e o que poderia ser melhorado. Individualmente, cada um posicio-
nou-se com relação às partes técnica e metodológica, aprovando a reforma acadê-
mica. Ao término da exposição individual, foi solicitado ao grupo que apresentasse
o que mais deveria ser abordado para que essa reforma atendesse plenamente
aos anseios do mercado. O grande grupo, após discussão dos assuntos inerentes à
formação do futuro profissional, relacionou os seguintes aspectos:
a) abranger conteúdo técnico que atenda às necessidades das empresas;
b) capacitar os alunos em leitura/escrita e em postura ética;
c) formar profissionais com visão sistêmica, adaptados a cumprir metas, en-
frentar desafios, saber dividir e trabalhar com espírito de colaboração, com-
prometidos com o trabalho;
d) contemplar a inserção de conhecimentos socioambientais no currículo, para
que o profissional seja educado para a sustentabilidade socioambiental,
haja vista que o cenário atual exige sustentabilidade das empresas para
serem competitivas;
e) desenvolver nos futuros profissionais o compromisso como pessoa;
f) ensinar a receber um não, assimilando isso como desenvolvimento pessoal,
e trabalhar com o comportamento do indivíduo;
g) apresentar como o mercado se encontra e o cenário em que atuarão;
h) desenvolver nos alunos a negociação – entre colegas e entre setores, tanto
internos quanto externos;
i) trazer os problemas das empresas e de ex-alunos para dentro da sala, para
estudar soluções e apresentar ao mercado;
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j) convidar os empresários para fazer seus depoimentos e dar palestras sobre
assuntos das organizações, no cenário do curso;
k) ensinar aos alunos a prática da paciência e a não serem imediatistas.
Depois da reunião com o grupo focal, em consonância com os princípios da
transversalidade e da interdisciplinaridade, procurou-se introduzir no currículo
do curso uma abordagem metodológica que contemplasse um processo de ensino
e aprendizagem que tratasse os pontos abordados na matriz curricular, os apon-
tamentos do grupo focal e as questões ambientais de forma transversal e integra-
da. Nesse sentido, criou-se um espaço que recebeu o nome de Oficina de Gestão,
regrado por regulamento próprio da instituição, com aprovação da Pró-Reitoria
de Ensino, Pesquisa e Extensão, permitindo que os alunos desenvolvessem a ca-
pacidade de aplicação de conceitos e teorias estudados durante o curso de forma
integrada, proporcionando-lhes a oportunidade de confrontar as teorias estudadas
em cada semestre com as práticas profissionais existentes, encontrando soluções
para problemas reais, valendo-se de critérios e valores sociais, éticos, estéticos e
ambientais. As empresas participantes do grupo focal se dispuseram a apresen-
tar problemas reais de logística em seu segmento de mercado para que os alunos
pudessem analisar, assim como abrir para visitas, para que conhecessem in loco a
problemática e realizassem o estudo, resultando em propostas para tais situações,
nas disciplinas denominadas Oficinas de Gestão.
Com esse espaço, portanto, busca-se estimular no aluno a análise e explicação
do objeto de seu estudo, culminando em novas propostas de soluções, na forma de
produto, projeto técnico, estudo de caso, proposta de intervenção em procedimentos
em serviços, adequação tecnológica ou processos e técnicas que tenham responsa-
bilidade socioambiental. No fim de cada semestre, é realizada uma Feira de Logís-
tica, com a finalidade de entregar ao mercado as soluções alcançadas diante dos
problemas apresentados aos alunos no decorrer do semestre letivo.
As equipes são formadas pelos próprios alunos e o problema a ser solucionado
surge dela própria ou envolve temas a serem solucionados para problemas forneci-
dos pelas empresas parceiras da instituição. Na Feira de Logística, os estudantes
apresentam, explicam, justificam e demonstram, por meio de maquetes ou novos
processos, para o público externo e alunos dos demais cursos de graduação da IES,
a solução encontrada. Dessa maneira, verificou-se que os pontos importantes da
nova matriz curricular referem-se ao engajamento dos alunos durante o semestre,
à pesquisa de campo e às visitas técnicas às empresas para entender o problema
e encontrar uma solução. O trabalho em equipe possibilita a eles negociar entre si
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e com outras equipes, melhorar o relacionamento interpessoal, ter mais responsa-
bilidades e cumprir os prazos, vivenciando a realidade do profissional de logística,
sempre considerando a temática ambiental.
A primeira feira contou com 21 alunos, distribuídos em 6 equipes, das quais
são apresentadas 5, a seguir:
a) APL Logistics: abordou uma solução de otimização de armazenagem, com
elaboração de uma maquete concretizando a solução teórica – equipe com
três alunos.
b) Criapneu: trouxe solução em logística reversa para utilização de pneus usa-
dos de maneira alternativa e criativa, com a produção de bancos, camas
para cães e gatos, entre outros – equipe com três alunos.
c) Projeto Recolorir: desenvolveu uma solução em logística reversa para rea-
proveitamento de giz de cera, apresentando um processo de derretimento de
tocos de giz usados e produção de novos em outros formatos, com a mesma
qualidade – equipe com cinco alunos.
d) Tijolinho do Bem: desenvolveu uma solução em logística reversa para utili-
zação de lixo orgânico na produção de tijolos, expondo um projeto de usina
que beneficia o lixo orgânico, tendo como resultado uma pasta como maté-
ria-prima para produção de tijolos – equipe com três alunos.
e) Zoo Nacional: apresentou solução em armazenagem e distribuição de ali-
mentos para zoológicos, na expectativa de otimizar a estocagem de produtos
perecíveis e a rápida distribuição ao consumo final, evitando desperdícios e
custos – equipe com dois alunos.
Observa-se que, em todas as soluções, os alunos demonstraram interesse em
abordar questões ambientais, tanto para empresas quanto para a sociedade.
Finalizada a reforma acadêmica em 2016, a nova matriz curricular passou a
vigorar no início de 2017, período contemplado por este estudo de caso, que buscou
responder como trabalhar a temática ambiental de forma transversal no curso su-
perior de Tecnologia em Logística.
Considerações nais
Durante a pesquisa, notou-se que, devido ao avanço tecnológico, aliado à nova
cultura da sociedade, o desafio da IES é entender as características do perfil do
aluno ingressante no curso, como também as necessidades que as organizações de-
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mandam na atualidade, em um cenário globalizado, marcado pela competitividade
e, principalmente, pela sustentabilidade.
Nas oficinas realizadas, que culminaram nas Feiras de Logística, as temáticas
ambientais abordadas foram relativas à logística reversa, incluindo a reutilização
do vidro, a recuperação do óleo de fritura de uma empresa e a otimização de arma-
zéns de forma a não agredir o meio ambiente, no caso da equipe que apresentou
solução para reduzir os desperdícios de manuseio da soja entre o produtor e a ar-
mazenagem.
Verificou-se, no piloto de implantação em uma turma com a antiga matriz, que
alunos e professores tiveram que se aproximar mais, interagindo e trabalhando
colaborativamente, oportunizando pensar, refletir e tomar decisões diante de si-
tuações anteriormente realizadas somente pelo docente. Essa condição gerou uma
nova cultura de comportamento, passando mais responsabilidade aos alunos. Com
a primeira Oficina de Gestão e a Feira de Logística, pôde-se aprender mais sobre
os comportamentos, o trabalho de pessoas com opiniões diferentes, que precisaram
se unir em torno de um único objetivo, exercitando a negociação, a parceria, a
paciência e a confiança. As empresas parceiras avaliaram muito bem as soluções
apresentadas, dispondo-se a continuar com esse vínculo, fornecendo problemas
reais da organização para que os alunos possam encontrar soluções eficientes e
sustentáveis.
A realização do grupo focal com os empresários para validação da proposta da
reforma do curso e a implantação dessa nova metodologia na reforma acadêmica
foram fundamentais para o êxito das oficinas de gestão, uma vez que eles contri-
buíram muito para a construção do conhecimento e a formação do novo profissio-
nal de logística. Ainda, as oficinas de gestão possibilitaram aos professores um
empenho mais firme e seguro na efetiva aprendizagem dos estudantes, fazendo-os
rever conceitos e buscar mais conhecimento para subsidiar os alunos na elaboração
de soluções dos problemas expostos. Dessa maneira, a interdisciplinaridade e a
transversalidade se tornaram presentes, como resultado de uma visão ampla, que
rompeu a fragmentação das disciplinas, oferecidas de modo isolado. Com um olhar
abrangente da realidade, tanto dos alunos quanto do mercado, e eixos centrais
unificadores da nova matriz curricular, reintegrou-se o processo acadêmico, opor-
tunizando a transversalidade dos assuntos e temas ambientais, tão importantes e
urgentes no cenário atual.
Este estudo de caso proporcionou, na observação destes pesquisadores, uma
evolução significativa na construção do conhecimento dos alunos, futuros profis-
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sionais de logística, os quais demonstraram mais interesse nos conteúdos, quando
colocados à frente de problemas reais de empresas, tendo que indicar soluções para
um mercado competitivo do qual em breve serão parte ativa.
Ao concluir, é mister que, em estudos futuros, aprofunde-se a importância
dessa metodologia, mas com outras formas de realizar a mesma temática, para que
essa aprendizagem tenha uma ação continuada, integrando mais alunos, profes-
sores, empresas e a própria instituição, preocupados com a temática ambiental, de
modo que a formação dos futuros profissionais se proceda de maneira interdiscipli-
nar e transversal, contribuindo para uma sociedade mais ética, justa e sustentável.
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