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Este artigo está licenciado com a licença: Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
A docência na Educação Infantil COM a Participação das Crianças
A docência na Educação Infantil COM a Participação das Crianças
Teaching in Early Childhood Education WITH Childrens Participation
La docencia en la educación de la primera infancia CON la participación de los niños
Katia Adair Agostinho
*
Resumo
A discussão aqui apresentada defende a docência na Educação Infantil com a participação das crianças. Considera
que creches e pré-escolas ocupam um espaço fundamental na construção da democracia, quando fomentam re
-
lações democráticas nas práticas pedagógicas cotidianas como um modo de vida que insiste na (re)existência e
persiste em tecer a vida coletiva e pública inscrita na ética do encontro em contraponto a exclusão. Em uma conjun
-
tura em que a democracia se encontra em um descrédito abissal e a ofensiva aos direitos sociais incide fortemente
nos mundos de vida das crianças, consideramos que a temática da educação democrática e da participação infantil
ganha especial relevo e precisa de um debate profundo nas instituições de educação infantil, para que seus projetos
educativo-pedagógicos e suas práticas sejam pensados à luz de referenciais críticos e inspiradores de novos modos
de vida. Essa reexão profunda terá de enfrentar nosso acanhado modo de sermos democráticos, em um país que
não tem o legado de uma experiência efetivamente democrática e que se submete facilmente à sedutora forma
de viver ditada pelo mercado, assim como o adultocentrismo existente nas relações pedagógicas; o que desnuda
nossa frágil condição que precisa ser assumida por um pensamento rico, forte de contraposição ao que está posto.
Palavras-chave: Educação Infantil. Docência. Educação Democrática. Direitos. Participação das Crianças.
Abstract
The discussion presented here defends teaching in early childhood education with the participation of children.
Believes that day care centers and preschools occupy a fundamental place in the construction of democracy,
when they foster democratic relations in everyday pedagogical practices, as a way of life that insists on (re)
existence and persists in weaving the collective and public life inscribed in the ethics of the encounter opposing
the exclusion. At a juncture in which democracy nds itself in abyssal discredit and the oensive to social rights
has a strong impact on the worlds of children, we consider that the theme of democratic education and child
participation is particularly important and needs a deep debate on institutions of early childhood education, so
that their educational-pedagogical projects and their practices are thought in the light of critical references and
inspirers of new ways of life. This profound reection will have to face our shy way of being democratic in a coun
-
try that does not have the legacy of a truly democratic experience and which easily submits to the seductive way
of life dictated by the market, as well as the adultocentrism that exists in pedagogical relations; This underscores
our fragile condition that needs to be assumed by a rich thought, strong in opposition to what is set.
Keywords: Early Childhood Education. Teaching. Democratic Educacion. Rights. Children’s Participation.
*
Doutora em Estudos da Criança, na Sociologia da Infância, Universidade do Minho/Portugal. Professora no Centro
de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina(CED/MEN/UFSC), Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-
0261-9790. E-mail: katia.ufsc@gmail.com
Recebido em 28/10/2019 – Aprovado em 30/01/2020
http://dx.doi.org/10.5335/rep.v27i2.11428
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Resumen
La discusión presentada aquí deende la docencia en Educación Infantil con la participación de niños. Cree que
las guarderías y preescolares ocupan un espacio fundamental en la construcción de la democracia, cuando fo-
mentan las relaciones democráticas en las prácticas pedagógicas cotidianas como una forma de vida que insiste
en la (re)existencia y persiste en tejer la vida colectiva y pública inscrita en la ética del encuentro en contraste con
la exclusión. En una situación en la que la democracia está en desprestigio abismal y la ofensiva a los derechos
sociales tiene un fuerte impacto en el mundo de los niños, consideramos que el tema de la educación democrá-
tica y la participación infantil adquiere especial importancia y necesita un debate profundo en las instituciones
de educación infantil, para que sus proyectos y prácticas pedagógicas y educativas se piensen a la luz de referen-
cias críticas y inspiren nuevas formas de vida. Esta profunda reexión tendrá que enfrentar nuestra forma tímida
de sermos democráticos, en un país que no tiene el legado de una experiencia efectivamente democrática y que
se somete fácilmente a la seductora forma de vida dictada por el mercado, así como las relaciones pedagógicas
centradas em el adulto; que exponen nuestra condición frágil que debe ser asumida por un pensamiento rico,
fuerte en oposición a lo establecido.
Palabras clave: Educación de la primera infancia. Docencia. Educación Democrática. Derechos. Participación in-
fantil.
Adentrando a temática: urgência e obscurantismo
A luz é sempre igual a uma outra luz.
Depois se modificou: de luz se tornou alvorada incerta,
[...] e a esperança teve uma nova luz.
P.P. Pasolini. A resistência e sua luz (1961)
A discussão que aqui propomos ganha contornos de acentuada urgência no
quadro atual de nosso país e para além dele, tristemente! Um momento políti-
co social caracterizado por uma violência crescente, repressão de muitas ordens,
imposição de um projeto civilizador de exclusão. O que torna nosso desafio mais
complexo e vultoso diante do crescimento das desigualdades sociais e estruturais.
Clara está a dificuldade de prosseguir sem que antes possamos nos retirar
de uma proposta de democracia nos moldes mercantilistas e à serviço da manu-
tenção da ordem atual em que o capitalismo – financeirizado e neoliberal – leva
seu projeto colonial às últimas consequências, sua realização globalitária. Em um
contexto que se associa às forças conservadoras que ascendem ao poder gerando
mais violência e barbárie (ROLNIK, 2018) em que reside muito obscurantismo e
necessidade de ressemantização.
Mergulhar nos meandros dessa complexidade e nomear, pronunciar os as-
pectos dessa gramática de guerra e morte exige de nós um pensar/sentir/agir que
detalhe e rememore o que fomenta tal ofensiva – tão forte e excessiva. É certo que
alguns tempos são mais difíceis e incertos do que outros. Para nós, brasileiros,
esses são tempos de profunda tristeza, estamos estarrecidos e (pre)ocupados com
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a velocidade com que muitas conquistas sociais e modos estabelecidos de ver ques-
tões sociais e educacionais são ameaçados e extintos, começam a desgastar-se, e
ainda não somos capazes de dar respostas ou de fazer frente às forças do desman-
telamento social. Como Peter Pal Pelbart, penso queEstamos em guerra!
Guerra contra os pobres, contra os negros, contra as mulheres, contra os indígenas, contra
os craqueiros, contra a esquerda, contra a cultura, contra a informação, contra o Brasil.
A guerra é econômica, política, jurídica, militar, midiática. É uma guerra aberta, embora
denegada; é uma guerra total, embora camuflada; é uma guerra sem trégua e sem regra,
ilimitada, embora queiram nos fazer acreditar que tudo está sob a mais estrita e pací-
fica normalidade institucional, social, jurídica, econômica. Ou seja, ao lado da escalada
generalizada da guerra total, uma operação que a abafa em escala nacional. Essa suposta
normalização em curso, essa denegação, essa pacificação pela violência — eis o modo pelo
qual um novo regime esquizofrênico parece querer instaurar sua lógica, em que guerra
e paz se tornam sinônimos, assim como exceção e normalidade, golpe e governabilidade,
neoliberalismo e guerra civil. Nada disso é possível sem uma corrosão da linguagem, sem
uma perversão da enunciação, sem uma sistemática inversão do valor das palavras e do
sentido do próprio discurso, cujo descrédito é gritante (PELBART, 2017a, sem paginação).
É nesse quadro de corrosão da linguagem, de perversão da enunciação, de
inversão do valor das palavras e do sentido do discurso em que a democracia se
encontra em um descrédito abissal em nosso país, que não tem o legado de uma
experiência efetivamente democrática e que se submete, facilmente, ao sedutor
modo de vida ditado pelo mercado. Essa guerra e ofensiva aos direitos incidem
fortemente nos mundos de vida das crianças.
Embora o momento seja dramático, defendo, junto com outros, que não de-
vemos nos submeter à imagem geral do desespero no sentido da desesperança,
também devemos resistir ao clamor por uma derrota de entrega total. É necessário
falar sobre nossas derrotas, mas não sucumbir a elas, é necessário aprender com
elas, mas não cair na armadilha de discursos forjados que negam a política, a par-
ticipação, a democracia, o que é público.
Em meio a um contexto tão sinistro não é bom deixar-se afundar no catastro-
fismo melancólico e derrotista, porque todo poder visa também a isto: nos separar
de nossa força, nos inculcar a tristeza, a angústia, o medo, a culpa e sobretudo a
sensação de impotência (PELBART, 2017a, sem paginação).
Se a cada dia parecemos mais vencidos, a derrota tem ao menos esta vantagem: ela nos
força a pensar — e a pensar de outra maneira. É preciso fazer valer tal ocasião. [...] fazer
do pensamento uma conspiração cotidiana, uma insurgência indomável (PELBART, 2017a,
sem paginação).
Corroboro Stuart Hall quando afirma que os momentos de conturbação políti-
ca produzem movi mentos teóricos, no seu interesse pela teorização que emerge das
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lutas por transforma ção social, política e cultural, lutas concretas e contextuais
que nos inspira a necessidade de “mobilizar tudo o que podemos encontrar em ter-
mos de recursos intelectuais para entender o que é que segue fazendo as vidas que
vivemos e as sociedades em que vivemos, profundamente anti-humanas” (HALL,
1992, p. 17). É urgente pensar e construir outras lógicas, outros modos de vida e
relacionamento, outros caminhos para a efetiva humanização sonhada.
Nesse contexto, como pensar/defender a democracia, as práticas democráticas
na educação infantil, e para além dela, os direitos de participação das crianças?
Como não naufragar com nossas ideias e palavras no mesmo continuísmo que ali-
menta a força e a voracidade do projeto neoliberal e conservador que nos assola?
O momento nos exige o esforço de pensamento crítico e criação, com atenção
constante e intensa à gramática que utilizamos para poder dizer, mais próximo
e melhor, da tessitura/urdidura complexa da docência nesta etapa educacional.
Enfrentemos com coragem a tarefa de democratizar a educação, aprofundando e
enriquecendo a democracia.
Re(existir) acentuando as relações democráticas nas práticas pedagógicas
Traçamos um caminho de pensamento, no qual uma forma de fazer frente a
tudo isto é a de pensar a educação em um lugar distinto do dominante, dando aten-
ção ao mundo e nele reconhecer a vida (SKLIAR, 2017), contrapondo-se às lógicas
de mercado, consumo desenfreado e destrutivo, ranking e sua concorrência, merito-
cracia, estandardização do pensamento, racismo, sexismo, xenofobia, intolerância,
ódio etc, que elege insistir no público, no bem comum, na política, na coletividade.
Carlos Skliar colabora com nosso desafio de traçar caminhos possíveis de (re)
existir com sua perspectiva de que “la detención sería la única rebelión posible
frente a un mundo que no te deja descansar,” nos contrapondo à ideia da acelera-
ção, com uma ação pedagógica cotidiana que possa fomentar uma nova forma de
fazer política e elaborar novos rumos para pensar e construir a afirmação da vida,
da infância, que possa liberar as crianças do mundo do mercado. Este é “el único
propósito que la educación puede tener, si aún nos queda algo de dignidad y de
alteridad” (SKLIAR, 2017).
Aunque sueñe extraño hoy día: enseñar es enseñar a contra-tiempo. Hay un mundo mucho
más largo y más ancho para mostrar: el del juego, la lectura, el pensamiento, la filosofía,
la música, la escritura, la pintura, los cuerpos, la historia de los hombres y las mujeres, la
literatura, la danza de los números, la danza sin los números, la geografía de las travesías,
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la realidad de los sueños, la memoria de los ancianos, el lenguaje de la infancia. Enseñar
la detención, la pereza, la desatención, la lentitud, el tiempo libre liberado del mercado, la
distracción, el titubeo, la fragilidad (SKLIAR, 2017, s.p.).
A defesa é a de acentuar, adensar, fomentar, fortalecer práticas pedagógicas
democráticas nas creches e pré-escolas, assim como em todas as instituições de en-
sino – universidades, escolas, para que sejam espaços de resistência em tempos de
ataques à democracia, onde possamos pensar e efetivar alternativas democráticas
construídas coletivamente, tendo em atenção que não devemos pensar a mesma
isoladamente das reais condições de realização da escolarização nas atuais cir-
cunstâncias da vida das nações e mundo. Estamos diante hoje de uma “batalha
cultural” pelos sentidos das relações sociais mais amplas e da vida escolar, em
particular. Para tanto,
Es necesario entonces volver a ligar la relación entre la infancia y la política, en el sentido
de la acción y la praxis, y desplazar la preponderancia de las retóricas prolijas sobre los de-
rechos de la infancia que no alteran los núcleos duros de la reproducción de la desigualdad.
[...] la educación desde edades tempranas representa una deuda de la sociedad y del Estado
para llegar justo a tiempo y también una apuesta por las nuevas generaciones en términos
de una batalla cultural central (REDONDO, 2015, p. 157).
A conquista dos direitos das crianças – Constituição Federal (1988), Conven-
ção dos Direitos das Crianças (1989), Estatuto da Criança e do Adolescente (1990)
–, fruto das lutas sociais de diferentes atores e, da produção teórica de abordagens
inclusivas em uma perspectiva de inclusão geracional, aproxima os campos da po-
lítica e da infância por meio do reconhecimento da criança como cidadã. Possuir
direitos é uma das características de ser cidadão, e a partir disso as crianças de-
vem ser consideradas cidadãs embora provavelmente não exerçam sua cidadania
da mesma forma que os adultos (JANS, 2004; LISTER, 2007). Assim, a defesa de
uma educação infantil com a participação das crianças é fulcral para a produção
e consolidação de uma sociedade de afirmação de direitos sociais, como espaços de
educação democráticos que se contraponham à exclusão social.
As crianças como sujeitos de direitos e de conhecimento são produtoras de
sentido e têm “voz”, são legítimas as formas de comunicação e relação que utilizam
para expressar seu ponto de vista. Ao fazê-lo, contribuem na renovação e reprodu-
ção dos contextos em que participam quando existe quem esteja interessado em ou-
vir suas vozes. Aqui incide com muita força as nossas concepções sobre criança e
infância.
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Katia Adair Agostinho
Consideramos a criança como ator social, a infância como construção socio-his-
tórica e a vivencia dos direitos negociada nas relações que são travadas junto aos
seus sujeitos em uma perspectiva de direito à infância. Em um quadro de pedago-
gias contra-hegemônicas, que favoreça e fomente práticas pedagógicas em que as
crianças sejam tidas em conta e seu ponto de vista seja considerado na estrutura-
ção de seus espaços e tempos educativos.
A Pedagogia da Infância, balizada num projeto emancipatório, com uma
concepção de criança como sujeito de direitos e ator social, afirma a imprescin-
dibilidade de considerarmos seu ponto de vista, expressado por diferentes canais
comunicacionais, para a organização e efetivação das práticas pedagógicas, o que
exige uma tomada de posição referente à participação infantil nos contextos de sua
educação.
A discussão a respeito da participação das crianças para uma educação de-
mocrática se cruza com um conjunto de conceitos importantes que precisam ser
aprofundados, compreendidos e conectados pelo coletivo das unidades educativas,
para que seja possível contar com as contribuições delas na efetivação da educação
aqui preconizada, para assim vencer modelos adultocêntricos.
Com esse princípio, as creches e pré-escolas – como lugar de prática ética e
política, de cidadania, de democracia – organizam e efetivam sua docência com
intencionalidade democrática participativa, fomentando tempos e espaços para a
participação de todos os sujeitos envolvidos: crianças, familiares, todos os profissio-
nais e comunidade. Intencionalmente abre espaço-tempo para o Outro, no exercício
diário de construir a vida coletiva da docência.
Compreendendo que a intencionalidade pedagógica nas práticas se tece sa-
bendo-se que ninguém pode antecipar a potência de um encontro, cada contexto
terá suas particularidades no modo de construir sua efetiva vivência, tendo em
vista as materialidades e subjetividades que constituem cada experiência localiza-
da nas diferentes categorias sociais, de modo que o significado de criança sujeito de
direitos são negociados em contexto, para enfrentarmos os riscos de sua reificação
(LLOBET, 2011).
A docência, por se constituir de maneira relacional, nos coloca a presença do
Outro. Mesmo quando esse reconhecimento não ocorre, o Outro sempre está ali e
sua presença incide nas relações pedagógicas que se travam no convício diário da
jornada educativa. Jorge Ramos do Ó contribui para seguirmos neste aprofunda-
mento dos meandros constitutivos da docência que aqui preconizamos com sua
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ideia de um pedagogo em andamento, que convoca a tarefa instante da intenciona-
lidade pedagógica, sendo aquela
[...] que se recusou com a maior verticalidade ética a vestir a pele do transmissor, do di-
vulgador, do comentador da obra alheia. De cada vez que se nos dirigem nessa condição de
professores-investigadores, é invariavelmente para nos mostrar, por meio de seu exemplo
e testemunho, como esse ofício ou posição pode ser ocupado por uma ideia preparada e
refletida, mas que está sempre a recomeçar ali mesmo no espaço da sala de aula
uma pesquisa que se desenvolve como um vento forte: que nos pode mostrar a adjunção,
o desmembramento ou até mesmo a desagregação de uma ideia, de um conceito, de uma
paisagem empírica, mas que não se faz compreender imediatamente, deixando-nos impac-
tados bem para lá do momento da sua passagem. Seja de que ângulo for, deparamo-nos
sempre com uma prática da interrogação que atinge não apenas a matriz da pa-
lavra, quanto a sua organização, mutação e até comunicação pública (Ó, 2019, p. 4,
grifos nosso).
Aqui descortina-se que assumimos como projeto educativo-pedagógico essa
prática sistemática e intensa de pensamento e interrogação, que acolhe o aconteci-
mento como elemento que nos mobiliza à transformação, como
[...] algo que não pode ser programado, irrupção imprevista: o começo de nova narrativa, de
uma nova compreensão, de uma nova relação com o mundo. O acontecimento é, também,
uma determinada experiência de vivência do tempo. Isto significa, então, que o aconteci-
mento só se explica como uma ocasião, como um estado de exceção, como o imprevisível,
como um instante original, como aquilo que quebra por surpresa e racha a continuidade do
tempo. E o impacto do acontecimento só pode estar nessa relação inédita que nós estabe-
lecemos com esse fato ou com o que esse fato produz e provoca em nós. A experiência que
dali nasce transforma o fato em acontecimento significativo e assume, então, a forma de
uma relação de interesse pessoal. E nos interessa particularmente essa ideia de interesse
pessoal, esse “dar-se conta”, que é como uma chave para pensar fertilmente o campo edu-
cativo. “Dar-se conta – diz Jankélévitch – é descobrir sem mover do lugar a velha novidade
[...] mas, completamente renovada pela maneira de percebê-la (1989, p. 161 apud SKLIAR,
2009, p. 42).
Por isso é fundamental um projeto de educação que reivindica a experiência
na Educação Infantil, como potência na transformação da realidade contemporâ-
nea vivida pela humanidade (JANUÁRIO, 2018). A experiência como antidoto para
o apesar de tudo com seu acento na memória e narrativa. Com esta base, temos
alguns aspectos que são importantes de serem salientados e que podem favorecer
e sustentar a participação infantil, compondo um caminho possível para a constru-
ção da educação democrática aqui defendida.
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Desdobramentos no cotidiano das creches e pré-escolas
A temática da participação das crianças é profunda e complexa, exige atenção
em seus desdobramentos e enfrentamentos cotidianos na efetivação da docência,
exige perseguir os modos de sua tradutibilidade. Concordo com Peter Moss (2009)
de que um dos primeiros passos para que essa prática democrática se instaure é
assumir a opção por este direcionamento com intencionalidade política e pedagó-
gica, o que exige pensar, refletir e discutir coletivamente nas unidades educativas:
queremos mesmo a democracia, o que ela significa para nós, como exercitá-la nas
práticas cotidianas? Como pensamos os direitos de participação das crianças? É
esta a posição e defesa da unidade?
É fundamental que as pré-escolas e creches, assim como os sistemas que as
apoiam, pensem, reflitam o que a democracia pode significar nos contextos de edu-
cação infantil (DAHLBERG; MOSS, 2005; MOSS, 2009; BAE, 2009, AGOSTINHO,
2010), evitando visões irrefletidas sobre ela. Essa é uma tarefa que nos coloca a
importância de pensar e discutir os projetos político pedagógicos, em documentos
e ações, das unidades: temos pensado-refletido e discutido em nossas creches e
pré-escolas a temática? Qual a nossa posição? Quais estratégias elegemos para
efetivá-la?
Isto dá relevo à importância de uma formação sólida e crítica em nível inicial
para todas as professoras e professores dessa etapa educacional, demandando es-
paço nos currículos dos cursos de Pedagogia às discussões acerca dos direitos das
crianças e, em especial, os de participação. Esta demanda também se coloca para a
formação continuada e em serviço.
A opção por um projeto educativo pedagógico democrático e emancipador re-
quer professoras e professores críticos, para que com sensibilidade, astúcia e pers-
picácia possam compreender as diferentes formas pelas quais as crianças expres-
sam seus pensamentos e sentimentos, apreender a complexidade da participação
das crianças em suas rotinas educativas, sua multidimensionalidade, e, tendo em
vista nosso reconhecimento da inteireza humana, construir estratégias comunica-
tivas de ausculta.
Explicita-se assim a importância da docência na educação infantil intencional
e cotidianamente disposta a apreender o conteúdo expressado-comunicado pelas
crianças sobre seus pontos de vista, acolhendo-os na estruturação e organização do
cotidiano educativo, com abordagens e práticas pedagógicas que apoiem os fins da
educação democrática, a ética do cuidado e do encontro e uma atitude de inclusão
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das diferenças e construção do bem comum, atento a práticas autoritárias e adulto-
cêntricas, neoliberais e neoconservadoras, que enfraquecem a democracia, em um
pleno exercício de compartilhamento de poder, com vistas à construção da vida em
comum.
Consideramos que as relações democráticas são processos criados pelos par-
ticipantes, algo vivido. A participação não é dada, ao contrário, é um processo que
envolve interação, expressão de ideias, pensamentos, opiniões, escolhas, nego-
ciações em uma perspectiva dialógica da política. Com atenção aos aspectos não
linguísticos da comunicação, ao reconhecimento da diferença, da pluralidade, e à
valorização da emoção e da sensibilidade.
As formas próprias e preferidas das crianças de expressar opiniões precisam
ser melhor compreendidas e traduzidas para que se efetivem os processos de parti-
cipação na docência. Estudos como o de Jans (2004), Bae (2009), Landsdown (2010),
Agostinho (2010), entre outros, indicam algumas formas pelas quais as crianças
comunicam e expressam seus pontos de vista, seus sentimentos e opiniões, com
destaque para:
o corpo, com seus movimentos, gestos e expressões;
os afetos exprimidos e estendidos entre elas mesmas e entre elas e os adultos;
o humor como forma de explicitar e viver a alegria e interrogar a vida com
um pensamento questionador de certezas absolutas;
as culturas de pares – com ênfase nas brincadeiras – como constituidora de
sua identidade geracional.
O corpo, os afetos, o humor, enfim as culturas de pares são ricas formas de
participação das crianças que exigem atenção contínua e intencional às suas ma-
nifestações para apreendermos os conteúdos expressados-comunicados por elas,
realizando a (re)invenção de uma democracia ao alcance das crianças de 0 a 6 anos,
a cidadania vivida nas creches e pré-escolas em que vivem sua infância.
Praticada na relação social, a participação das crianças na docência precisa
manter especial atenção no risco da reprodução de modelos adultocêntricos, consi-
derando-se as especificidades das crianças pequenas, suas diferenças e diversida-
des. Os encaminhamentos pedagógicos precisam cuidar para que não incorram nos
deslizes comuns de que assembleias, eleições e escolhas são suficientes para o pleno
reconhecimento da contribuição geracional. É necessário que sejamos cuidadosos
ao incluir as estruturas formais de participação com as crianças, pois é improvável
que possam acolher a diversidade de vozes infantis. Esses modelos costumam gerar
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relações hierárquicas e tendem a legitimar uma relação de poder desigual, proje-
tados de forma unilateral por adultos, podem silenciar as crianças, nos desafiando
a pensar e efetivar abordagens alternativas à participação das crianças na esfera
pública, em que é necessário acolher uma grande diversidade de vozes infantis.
A propagada máxima de que ouvir as vozes das crianças seria as deixar falar
também precisa ser, cuidadosamente, revista, embora reconheçamos que nem isto
se tenha ainda conquistado plenamente em muitos âmbitos. O que queremos real-
çar aqui são os modos próprios das crianças pequenas que interrogam e tencionam
a reprodução de modelos que nem sempre atendem às suas especificidades e neces-
sitam de tempos diversos para acolher suas manifestações.
A participação se constrói no tempo, se aprende e se refina, comporta um exer-
cício e capacidade de observação e de escuta. Por isso uma das estratégias que jul-
gamos fulcral é a ausculta, imprescindível para o desenvolvimento de abordagens
em que a cultura de comunicação comece a partir da posição da criança, e que se
reconheçam as suas diferenças, a fim de que possamos construir práticas democrá-
ticas estabelecidas no paradigma da escuta, implicadas na comunicação humana.
[...] o termo ausculta não é apenas uma mera percepção auditiva nem simples recepção da
informação - envolve a compreensão da comunicação feita pelo outro. Inclui a recepção e
compreensão, que, principalmente neste caso - o da escuta da criança por adulto sempre
passará por uma interpretação. Tal análise da expressão oral do outro/ criança orienta-se
pelas próprias intenções colocadas nessa relação comunicativa - lembrando que, quando o
outro é uma criança, a linguagem oral não é central nem única, mas fortemente acompa-
nhada de outras expressões corporais, gestuais e faciais (ROCHA, 2008, p. 45).
A observação e escuta atentas aos modos próprios como as crianças comuni-
cam seu ponto de vista exigem um conjunto de conhecimentos e sensibilidade acer-
ca delas para apreender todos os conteúdos expressos pelos seus diversos canais
comunicacionais. Essas estratégias destacadas, de observação e escuta/ausculta,
são acompanhadas por uma prática de registro e documentação pedagógica, em
que documentamos e partilhamos os pontos de vista das crianças com o coletivo
que vivencia a unidade. A documentação pedagógica, assim, apoia a participação
das crianças.
Ao reconhecer o papel ativo das crianças na construção da vida social, temos
de ter em atenção os diferentes ritmos, tempos e formas de sua participação. É
necessária, assim, uma lógica organizacional pedagógica que se abre para a comu-
nicação e o intercâmbio, com o tempo necessário para a escuta, que fomente com
equilíbrio diferentes modos de encontro, diálogo, negociação, com espaços e tempos
plurais, em que sejam possíveis grupos menores e maiores para que as ideias de
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A docência na Educação Infantil COM a Participação das Crianças
todos tenham lugar, para que possam ser expostas, ouvidas, debatidas, negociadas.
Com igualdade de acesso para todos na vida em grupo, vida coletiva, com garantia
de visibilidade e expressão de diferentes racionalidades, em que se exercitam o
respeito pelo outro, proporcionando o confronto entre pontos de vista.
A educação como um lugar onde se dá e tem tempo! Aquela que se contrapõem
ao tempo linear e se abre para a experiência e o acontecimento, como caminho para
ativações mobilizadoras e transformadoras, sacode e desestabiliza a raiz da acele-
rada e sedutora trama enredadora do mercado, com sua incapacidade de presença,
acento no individualismo e sua insaciável privatização e acumulação. Essa edu-
cação fomenta práticas de cooperação democrática em todos os domínios e, assim,
fecundamente nos aproxima do que de fato nos faz viver – a preservação da vida
estabelecida sob o princípio do comum.
A ação docente nessa direção expande o tempo, provê e apoia oportunidades
de debate, negociação e estruturação coletiva da jornada diária, criando outros
espaços, outros tempos para a expansão da potência, do possível e necessário en-
contro, da partilha da vida comum, contrapondo-se à crise de presença com e na
vida a nossa volta. A presença posiciona-se contra a passividade e submissão, nos
inscreve como cidadãos que se ocupam com o que nos diz respeito.
Tal perspectiva exige a contraposição em relação às formas de vida instituídas
para o mercado, contraria o assujeitamento, a submissão da subjetividade, for-
talecendo a capacidade de pensar outras maneiras de viver, novas formas de (re)
existência, inventadas nos encontros de experimentação de novos modos de exis-
tências, com novas formas de cooperação, de sensibilidade, de percepção, de relação
com o tempo, com o corpo, com a infância, com os sonhos (PELBART, 2017b).
Assim propomos re(existir) acentuando as relações participativas nas práticas
pedagógicas inclusivas de todos os sujeitos envolvidos, intensificadoras da diferen-
ça, pensando a educação pública na contramão da comercialização da vida! Com
pensamentos e palavras como “lampejo e a esperança intermitentes dos vaga-lu-
mes. Lampejo para fazer livremente aparecerem palavras quando as palavras pa-
recem prisioneiras de uma situação sem saída” (DIDI-HUBERMAN, 2011, p. 130).
Finalizar para abrir o debate
Nessa batalha cultural, compreendida como uma resistência necessária, so-
mos capazes de nas relações educativo-pedagógicas cotidianas nas creches e pré-es-
colas potencializá-las como lócus democráticos? Lugar de participação com vistas
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Katia Adair Agostinho
ao bem comum? Espaço-tempo-lugar em que o projeto educativo-pedagógico vise
novas formas de sociabilidade, de composição e partilha da vida?
As possibilidades de ação no sentido aqui defendido em um contexto tão di-
fícil e desfavorável, nos convoca a criar, reunindo forças próximas e realizando
mudanças locais, considerando as creches e pré-escolas como espaços privilegiados
de construção democrática da vida coletiva pública. A participação das crianças
menores nos espaços educativos pode ser uma força, uma importante contribuição
da geração que chega, especialmente, se estivermos em busca de construir outros
modos de convívio, mais comprometidos com o bem comum, com o que é público.
A radical centralidade na vida coletiva, em que todos nos inscrevemos, nos
convoca para a mudança nos padrões de sociabilidade e consumo das sociedades
ditas desenvolvidas, sendo a redistribuição dos recursos pela população do planeta
base para a democracia. Contemporaneamente, o ataque à democracia nos impõe
a tarefa de fomentar o diálogo democrático e o debate público. As instituições de
educação infantil como local que acolhe a infância tem uma forte possibilidade
de instaurar relações em que a vida coletiva conta com a contribuição de todos os
envolvidos, exercitando a cidadania desde a tenra idade.
Ocupar as creches e pré-escolas experimentando novas formas de organiza-
ção, de auto-organização, de sociabilidade, de produção de uma vida outra, convoca
outros espaços, outros tempos, outra subjetividade, porque esta que aí está inter-
rompe, impossibilita o bem comum, o bem viver. Assim, pensar possibilidades de
resistir a este momento difícil no Brasil e no mundo, no âmbito educacional e em
tantos outros, instaurando processos educativos-pedagógicos coletivos estabeleci-
dos – de praticar e pensar, portanto, de criar – nos leva a encontrar caminhos de
transformação mesmo diante de tantas adversidades.
A docência com a participação das crianças constrói um projeto democrático
e emancipador. Sendo as instituições de educação infantil contextos de socializa-
ção política das crianças, onde elas exercitam e vivenciam sua cidadania na vida
coletiva e individual nos processos de decisão, nas relações de poder diversas, in-
fluenciando, transformando e/ou mantendo a estrutura organizacional cotidiana.
Defendemos, assim, que tempos e espaços educativos-pedagógicos constroem em
sua cotidianidade um tempo de direitos, estruturando suas jornadas com o efetivo
contributo das crianças nas negociações e decisões coletivas organizadoras da es-
trutura institucional.
Com isso, afirmamos a “voz” das crianças, que têm opiniões, ideias, experiên-
cias e sentimentos a nos dizer, assegurando sua expressão pelos diferentes canais
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A docência na Educação Infantil COM a Participação das Crianças
comunicacionais, assumindo como legítimas as suas formas de comunicação e rela-
ção na renovação e reforço dos laços sociais nos espaços em que participam. Assim,
atentamos aos aspectos não linguísticos da comunicação, à ética do cuidado e da
solidariedade para com o Outro, ao reconhecimento da diferença, à preservação da
pluralidade, à valorização da emoção e da sensibilidade, fortalecendo e reinven-
tando a construção da democracia com a docência na Educação Infantil COM a
participação das crianças.
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