O Zé Povinho nas trincheiras: epopeia e anedota no memorialismo da Grande Guerra

Palavras-chave: Memorialismo de guerra. Literatura de testemunho. Humor. Soldado Desconhecido.

Resumo

No presente artigo, partindo de uma leitura panorâmica dos textos de alguns memorialistas portugueses da Grande Guerra (Jaime Cortesão, Augusto Casimiro, Pina de Morais, Albino Forjaz de Sampaio e André Brun, entre outros), são examinadas algumas estratégias de reencenação narrativa da memória pós-traumática, com destaque para o efeito de dissonância estilística que neles de deteta entre um registo épico-celebratório e uma miniloquência de tom elegíaco ou burlesco. Essa oscilação retórica é, em seguida, relacionada com uma essencial mutação da política e da poética da memória que nestes textos se torna inteligível e em função da qual o lugar do herói épico do passado parece ter sido ocupado pela figura anónima do Soldado Desconhecido.

Biografia do Autor

Paulo Alexandre Cardoso Pereira, Universidade de AveiroDepartamento de Línguas e Culturas
Doutor em Literatura pela Universidade de Aveiro. Exerce funções como professor auxiliar no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, onde tem lecionado várias disciplinas de licenciatura e mestrado na área da Literatura Portuguesa e desenvolvido atividades de investigação no domínio dos Estudos Literários. É investigador no Centro de Línguas, Literaturas e Culturas, da Universidade de Aveiro.
Publicado
2018-09-17
Como Citar
Cardoso Pereira, P. (2018). O Zé Povinho nas trincheiras: epopeia e anedota no memorialismo da Grande Guerra. Revista Desenredo, 14(2), 221-234. https://doi.org/10.5335/rdes.v14i2.7897
Seção
Artigos