A não-presença em “na terceira pessoa”, de mia couto: um estudo enunciativo

Claudia Toldo, Raquel Aparecida Cesar da Silva

Resumo


O objetivo desta reflexão é propor uma leitura enunciativa de um dos contos de Mia Couto, publicado no livro Na berma de nenhuma estrada. Com pressupostos teóricos da Linguística da Enunciação, segundo Émile Benveniste, apresentados, principalmente, em sua obra Problemas de Linguística Geral I (2005), este trabalho discute a subjetividade na linguagem e as categorias de pessoa e não-pessoa no conto Na terceira pessoa, que narra a história de Dona Salima, uma mulher que trata o marido na terceira pessoa, confidenciando a um “tu” imaginário as desilusões provocadas por um “ele” infiel e opressor. Partindo desse pressuposto, e considerando as oposições verificadas por Benveniste entre 1ª e 2ª pessoas, bem como entre essas e a 3ª pessoa, numa situação enunciativa, propomos uma análise linguístico-enunciativa do conto, sublinhando a subjetividade e a intersubjetividade, as categorias de pessoa e não-pessoa e suas implicações na construção de sentido no conto de Mia Couto. Os procedimentos metodológicos, aqui adotados, consistem no exame das marcas linguísticas deixadas pelo autor, exemplificando na análise proposta, que, para se tornar uma pessoa, a personagem feminina, ao se enunciar, impessoaliza o marido, transformando-o em uma não-presença, passível de ser ignorada e, até mesmo, destruída.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5335/rdes.v13i1.6837