O cuidado do presente como entrave para a construção do sentido da existência, em O amanuense Belmiro

Edson Ribeiro da Silva

Resumo


Bakhtin trata da natureza plurilinguística do romance, atentando para a assimilação que este faz de gêneros diversos. O formato de diário permite ao romance atentar para o presente, aproximando a narrativa do cotidiano e resulta na incompletude própria daquele gênero. Se o cuidado de si possibilita o reconhecimento da própria identidade, conforme Foucault, o diário, voltado para o presente, exemplifica momentos desse cuidado. Heidegger, no entanto, aponta o cuidado do presente como entrave para a constituição de um ser autêntico, cuja existência faça sentido; apenas a atenção para o futuro, como projeto de ser, pode libertar o ser da impessoalidade do cotidiano. Essa natureza contraditória do diário é observada, aqui, no romance O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos, que mostra um homem reflexivo. Nele, a ocupação com o cotidiano enclausura o ser na impessoalidade e gera o medo de realizar seu projeto. O ser fracassa e faz da ocupação com o presente um modo de suportar a falta de sentido da existência.

Palavras-chave


Diário. Cyro dos Anjos. Identidade. O amanuense Belmiro.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5335/rdes.v13i1.6724