A cultura do não-trabalho como um discurso vociferante, nas vozes de Brás Cubas e Quincas Borba

Marcia Santos Lopes, Gilberto Gnoato, Angela Maria Rubel Fanini

Resumo


Este artigo analisa as construções discursivas sobre a cultura do trabalho, na obra Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis, fazendo um recorte discursivo das vozes representadas pelos personagens Brás Cubas e Quincas Borba. Considerando que o universo cultural criado pelo autor romanesco reflete e refrata o seu tempo e que não há como afastar a cultura da orientação dialógica da linguagem, já que estas pressupõem alteridade e discursividade, fazemos uma Análise Dialógica do Discurso (ADD), baseada nas teorias de Bakhtin e do Círculo. As vozes da enunciação machadiana contrapõem o discurso de longa duração da dignidade, do reconhecimento e da realização pessoal, advindos do trabalho material ou imaterial, ao discurso do não-trabalho ou do anti-trabalho das classes dominantes, que têm “sede de nomeada” pela aquisição de um diploma ou por um cargo político. Concluiu-se que, para as elites brasileiras oitocentistas, o que prevalecia era a cultura do não-trabalho.

Palavras-chave


Cultura. Trabalho. Discurso. Cubas e Borba. Machado de Assis.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5335/rdes.v13i1.6673