Política de habitação em terras indígenas: continuidade do assimilacionismo e do etnocentrismo

  • Henrique Kujawa Faculdade Meridional
  • Caliane C. O. de Almeida Faculdade Meridional

Resumo

Historicamente as políticas indigenistas foram marcadas pela lógica assimilacionista e etnocêntricas, partindo do pressuposto de que a cultura europeia era superior e que os indígenas deveriam assimilá-la, abdicando da sua forma de vida e cultura para “civilizar-se”. Na última década, o Programa Minha Casa Minha Vida Rural (MCMV-Rural), possibilitou a construção de um número significativo de unidades habitacionais em Terras Indígenas (TIs) em todo o país. O objetivo deste artigo é analisar o panorama da implantação do MCMV-Rural nas TIs do norte do estado do Rio Grande do Sul, bem como em que medida a referida política perpetua a lógica assimilacionista e etnocêntrica pretérita. Este estudo é fruto de pesquisas bibliográfica, documental e de campo, pelas quais foram realizadas as revisões de textos e documentos acerca do tema, além dos levantamentos in loco acerca do processo de estruturação da política na região, de implantação dos agrupamentos de moradias e o papel das lideranças indígenas nesse contexto. Percebe-se que o Programa MCMV-Rural, mesmo gerando melhoria nas condições de habitação para os indígenas, reproduz uma lógica exógena à sua cultura, reverberando modelos e referências urbanas para os espaços de se morar indígenas. Palavras chaves: políticas Indígenas, política de moradia rural, etnodesenvolvimento.

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Publicado
2019-12-24
Como Citar
Kujawa, H., & C. O. de Almeida, C. (2019). Política de habitação em terras indígenas: continuidade do assimilacionismo e do etnocentrismo. Semina - Revista Dos Pós-Graduandos Em História Da UPF, 18(3), 159-180. Recuperado de http://seer.upf.br/index.php/ph/article/view/10506